“Adoraria explorar a Amazônia com os Estados Unidos”, diz Bolsonaro, em encontro constrangedor com Al Gore

"Adoraria explorar a Amazônia com os Estados Unidos", diz Bolsonaro, em encontro constrangedor com Al Gore

*Atualizado às 23h

Mais uma cena vergonhosa e constrangedora envolvendo o presidente do Brasil veio à público esta semana. Em um breve vídeo, Jair Bolsonaro aparece no Fórum Mundial de Davos, que aconteceu em 2019, conversando com o ex vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore. Ao lado dos dois está Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores, que acredita que as mudanças climáticas são uma “conspiração marxista” e já falou que “não há um termostato que meça a temperatura global”.

Uma das principais vozes mundiais no combate às mudanças climáticas e ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Al Gore se aproxima do presidente brasileiro e diz que é muito amigo de Alfredo Sirkis, ambientalista, político e jornalista, falecido recentemente.

Com a ajuda de um tradutor o tempo todo, Bolsonaro responde. “Lá atrás, fui inimigo do Sirkis na luta armada”. O americano diz que não sabia e que mencionou então a “pessoa errada” para aquele momento.

O presidente do Brasil, com um sorriso no rosto, afirma que não há problema, que ele é um capitão do exército e a história recém passada dos militares no país foi muito mal contada.

Al Gore muda de assunto e afirma que todos estão muito preocupados com a Amazônia.

“A Amazônia não pode ser esquecida. Temos muitas riquezas. Gostaria muito de explorá-la junto com os Estados Unidos”, rebate Bolsonaro.

Visivelmente constrangido, o ex vice-presidente americano finaliza a conversa. “Eu não entendi muito o que você quis dizer”.

O diálogo faz parte do documentário “O Fórum”, que mostra os bastidores do encontro ocorrido há alguns meses, na Suíça, e que anualmente, reúne os principais líderes mundiais.

Em abril do ano passado, Bolsonaro já tinha deixado clara suas intenções. Ao fazer a análise de seus 100 primeiros dias no governo, afirmou que queria rever demarcações de terras indígenas para explorar a Amazônia com os Estados Unidos.

A mentira de Bolsonaro

Não é só vergonhoso o comportamento do presidente brasileiro perante Al Gore, mas também é mentiroso. Ele nunca lutou na guerrilha contra Alfredo Sirkis. Historiadores e jornalistas rapidamente esclareceram que, em 1971, depois do sequestro de dois embaixadores estrangeiros, da Alemanha e da Suíça, durante a ditadura, Sirkis foi para o exílio. Nessa época, Bolsonaro ainda só tinha 16 anos e sequer havia entrado para o exército.

Em outras cenas do documentário, participantes do evento, entre eles, o presidente e criador do fórum, Klaus Schwab, demonstram profunda preocupação com a presença de Bolsonaro e o que ele irá dizer sobre a Amazônia.

“O Fórum” está disponível nas plataformas digitais Now, Vivo Play, iTunes, Google Play, Youtube Filmes e Looke.

*Texto atualizado para corrigir a informação errada de que Al Gore teria sido presidente dos Estados Unidos. Na verdade, ele foi vice-presidente daquele país, sob a gestão de Bill Clinton, entre os anos de 1993 e 2001.

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Foto: reprodução vídeo

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Um comentário em ““Adoraria explorar a Amazônia com os Estados Unidos”, diz Bolsonaro, em encontro constrangedor com Al Gore

  • 26 de agosto de 2020 em 4:10 PM
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    No Brasil existe a presença de um vírus mortal mas o mais trágico é que somos obrigados em conviver com criaturas que disseminam epidemias piores, incuráveis, e igualmente mortais. São seres que transmitem os vírus devastadores presentes em suas essências. Provocam epidemias de ódio, de preconceitos, de arrogância, de ignorância, de crueldade e destruição da Mãe Natureza, de xenofobia, de todos os instintos mais primitivos. Os mais fracos e inseguros se deixam contaminar mas os que são imunes pq trilham os caminhos de Eros ( instinto de vida), não adoecem e resistem. O que pretendo metaforicamente dizer é que existem vírus da alma e na alma que quase ninguém detecta a olho nu mas que estão entre nós e só existe uma vacina de combate : a humanização. Se cientistas descobrissem um remédio para tal, certas pessoas precisariam toma-lo com a máxima urgência e para o bem de uma sociedade. Que utopia da minha parte!!!

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