A pé pelas capitais brasileiras

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Caminhar é um daqueles pequenos “luxos” que nos permitimos quando estamos viajando. Luxo, aqui, no sentido de ações que geralmente não praticamos no nosso dia a dia, mas quando estamos conhecendo um lugar novo. De todas as “extravagâncias” comuns em viagens – como comer em um restaurante mais caro, alugar um carro mais potente, comprar mais lembrancinhas que o necessário –, caminhar é sem dúvida a mais sustentável delas.

É simples: andar é saudável, democrático, inclusivo e ecológico. Não produz CO2, e desafoga o transporte público e o trânsito. Tem custo zero, estimula a interação social e dá mais movimento às ruas – o que acaba gerando mais segurança. Andar permite ter outra perspectiva da cidade, dá liberdade pra fazer as coisas no seu próprio tempo (e passo) e incita um sentimento de pertencimento e uso do espaço público.

“O andar de uma maneira contemplativa muda a relação das pessoas com a cidade – e inclusive aumenta a identificação delas com o lugar. E o que a gente precisa pra cidade ser melhor é justamente isso, que as pessoas gostem mais, tenham um olhar mais carinhoso por ela”, diz Ana Carolina Nunes, do movimento SampaPé (leia mais abaixo).

Baseando-se em experiências lá de fora, alguns brasileiros têm começado iniciativas semelhantes por aqui, buscando fazer essa “cultura do caminhar” pegar no Brasil também. É o caso do Caminha, Fortaleza, projeto que espalha placas de PVC pelos principais pontos de interesse da capital cearense, indicando o tempo de percurso a pé até as atrações próximas. Ele foi inspirado no projeto Walk Your City, que propõe estimular o caminhar por meio da sinalização adequada.

O projeto Mapa Daqui segue a mesma linha, só que em São Paulo. O legal, neste caso, é que qualquer um pode ajudar a preencher o mapa, com os pontos de referência que acham interessantes.

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Outras iniciativas – oficiais e não oficiais – dão um empurrãozinho a mais, propondo tours a pé pelas ruas de algumas das principais cidades brasileiras:

SampaPé – A cada mês, um bairro de São Paulo é escolhido para receber as cerca de 20 pessoas que participam do tour. A caminhada é aberta, sem necessidade de inscrição prévia, e gratuita (o grupo pede uma contribuição voluntária, apenas). A ideia é fazer com que as pessoas tenham um outro olhar para a cidade, percebam os seus elementos urbanos e interajam com eles e com o próprio grupo. Tanto que os participantes (muitos deles paulistanos, ávidos por conhecer melhor a própria cidade) são encorajados a compartilhar memórias e causos dos lugares por onde passam. O tour é guiado por voluntários do movimento (guias não credenciados) e parte de uma estação de metrô ou trem da região. Fique ligado na programação pela página no facebook do SampaPé.

Curta Curitiba a Pé – É um mapa com os principais pontos de interesse da região central da capital do Paraná, divididos em dois roteiros autoguiados: um pelos bairros Centro e São Francisco e outro pelo Centro Cívico. O guia é uma iniciativa do Instituto Municipal de Turismo de Curitiba e pode ser baixado gratuitamente pelo site da prefeitura. O material impresso deve estar disponível nos Postos de Informação ao Turista a partir de 23 de março.

Olha! Recife a pé – O programa, da Secretaria de Turismo e Lazer, oferece tours por toda a cidade, de diferentes segmentos. Os roteiros a pé ocorrem todo domingo, pela manhã, com o acompanhamento de um guia credenciado, e duram cerca de 2h30. Cada semana tem um tema diferente, com a ideia de trazer outro olhar para a cidade, buscando a preservação do patrimônio do centro e do centro expandido da capital pernambucana.  São disponibilizadas 30 vagas e as inscrições podem ser feitas pelo site, toda sexta-feira. Os tours de 2016 começam no dia 27 de fevereiro.

Roteiros Geográficos do Rio – Os roteiros acontecem tanto em ambientes abertos – de dia ou à noite – como em lugares fechados (igrejas e centros culturais), dependendo do tema proposto. Os passeios acontecem na área central do Rio e em bairros como Glória, Catete, Flamengo e Copacabana, e buscam mostrar a geografia, a história, a arquitetura e a cultura que fazem parte da Cidade Maravilhosa. O projeto, do Instituto de Geografia da UERJ, é gratuito, e volta a acontecer a partir do dia 1º de março. Saiba tudo pelo site ou pela página no facebook.

Você conhece algum tour a pé por essas ou outras cidades brasileiras? Compartilhe com a gente nos comentários!

Fotos:
Tour Olha! Recife a pé (Foto: Divulgação)
Placa do projeto Caminha, Fortaleza! (Foto: Divulgação)

Na Garupa

Viajar pode fazer mais. Por você e pelos lugares que visita. Este é o lema da Associação Garupa, Organização Social de Interesse Público (OSCIP) que trabalha com o turismo sustentável como ferramenta para promover distribuição de renda e preservação de riquezas naturais e culturais do Brasil. A Garupa atua no apoio a comunidades e iniciativas em três frentes: por meio de consultoria para campanhas de crowdfunding, da realização de Expedições Garupa ou da divulgação de experiências sustentáveis através do Guia do Brasil Autêntico.

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