A paranaense Manu Buffara recebe, no México, o prêmio de melhor chef mulher da América Latina

“Cozinhar é uma expressão de amor, conhecimento, técnica, autenticidade e respeito. Respeito pelo ingrediente, pelo produto, pelo agricultor e pela terra. É sobre quem você é e sobre o lugar que você pertence”. É assim que a chef Manuela Buffara Ramos, a Manu, define sua culinária.

E ontem, em Mérida, capital do estado de Iucatã, no México, a brasileira recebeu o reconhecimento por todo esse cuidado com o alimento que serve aos seus clientes e pelos anos de dedicação à gastronomia ao ser eleita a Melhor Chef mulher da América Latina pela premiação Latin America’s 50 Best.

Já são 16 anos de carreira da filha de um fazendeiro e descendente de italianos e libaneses, que em 2011 inaugurou seu restaurante, o Manu, em Curitiba. Desde então vem colecionando uma série de prêmios e reconhecimentos.

Nele, a chef trabalha apenas com ingredientes sazonais e frescos e 60% dos produtos usados nas receitas são vegetais. No cardápio há apenas um prato de carne vermelha, que desde 2019 não é de vaca, e vem de pequenos produtores de carneiro e porco moura, raça originária do sul do país.

Em seu perfil no Instagram, Manu compartilhou a emoção de ser escolhida como a melhor chef latino-americana.

“Para estar aqui tive que sonhar grande. E quem sonha grande erra muito. E eu falhei muito. Mas a melhor parte disso é que aprendi muito com meus erros. Portanto, este momento não é sobre sorte, é sobre trabalho duro. E sobre sonhar grande e nunca, nunca desistir do meu sonho e nunca desistir quando alguém tentou puxar o tapete debaixo dos meus pés. Algo que aprendi com minha mãe é que o sol nascerá novamente todos os dias. E a luz atingirá nossos corações. Portanto, este prêmio é para aqueles que, como eu, ousam sonhar alto, acreditaram em si mesmos e acordaram depois de um dia ruim e falharam de novo e de novo até encontrar o ponto de cozimento perfeito para cada ingrediente. Vale a pena fazê-lo”, escreveu.

A chef dedicou ainda o prêmio às duas filhas.

“Queria falar para as duas meninas que tenho em casa, Maria e Helena, e para todas as meninas como elas que estão me ouvindo: que vale a pena sonhar alto e que é super legal ver seu sonho realizado, mas a maneira de chegar aqui é a melhor parte. Obrigado 50 Best por me dar o microfone (prêmio) este ano, e prometo que continuarei lutando para ter um mundo melhor”, finalizou.

A paranaense Manu Buffara recebe, no México, o prêmio de melhor chef mulher da América Latina

Manu e as filhas Maria e Helena

Além de supervisionar o trabalho no restaurante na capital paranaense, entre novembro deste ano e novembro de 2023, Manu comandará a cozinha do restaurante Fresh in the Garden, o resort Soneva Resort, nas Ilhas Maldivas. Todos os pratos serão feitos com ingredientes da horta do hotel e iguarias vindas dos países vizinhos, Índia, Sri Lanka e outros da Ásia. O menu será 30% vegano, 30% vegetariano e o restante das receitas feitas com peixes e frutos do mar.

No ano que vem, a paranaense irá ainda inaugurar a sua segunda casa, o Ella, no Meatpacking District, em Nova York.

Todas as preparações são feitas sob os cuidados da Manu: acima, kombucha
(Foto: Rubens Kato)

Além do trabalho como chef, Manu está envolvida em ações sociais. Há dois anos criou um instituto responsável, entre outras coisas, pelo evento anual “Alimenta Curitiba”, que distribui de alimentos, promove eventos de educação e inserção social nas áreas mais pobres da capital paranaense. Também atua no Mulheres do Bem, grupo de chefs mulheres que serve 400 almoços para moradores de rua semanalmente em uma instalação da prefeitura.

Fotos: reprodução Facebook Manu Buffara/Rubens Kato

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Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.