A música como resistência: violoncelista toca em meio aos escombros de Kharkiv, na Ucrânia

A música como resistência: violoncelista toca em meio aos escombros de Kharkiv, na Ucrânia

Ao longo dos últimos séculos, o ser humano sempre encontrou na música uma forma de minimizar a dor e o sofrimento e resistir aos períodos mais difíceis. E não tem sido diferente agora, durante a invasão da Ucrânia pelas tropas russas. Graças ao poder das redes sociais, já foram compartilhados vários momentos em que os ucranianos, em meio a bombardeios e sirenes de alertas, refugiados em abrigos antibombas, se utilizaram de seus instrumentos ou de suas vozes para pedir pela paz em seu país.

Foi assim com o concerto que reuniu violinistas de vários cantos do planeta e seus colegas que ainda estão Ucrânia e mais recentemente, com a pequena Amellia Anisovych, uma menina de apenas 7 anos, que após comover o mundo cantando num abrigo, emocionou milhares de pessoas em um estádio na Polônia.

Agora, mais uma vez, uma dessas cenas, tão tristes e tocantes, ganha visibilidade global por causa da internet. Um violoncelista sozinho, sentado numa cadeira, com seu instrumento, tocou em meio aos escombros de Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia.

Todo vestido de preto, o instrumentista toca durante quase dois minutos, em frente aos prédios bombardeados e completamente destruídos. O vídeo foi divulgado no perfil do Twitter do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia e depois viralizou nas redes sociais.

Segundo relatos de moradores, Kharkiv está devastada. Os ucranianos sempre tiveram muito orgulho de dizer que lá ficava a maior praça do país, batizada de “Praça da Liberdade”. Hoje o que se vê são escombros e destruição. Um passado arquitetônico e histórico apagado por mísseis.

De acordo com os dados mais recentes Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), 3,6 milhões de ucranianos já deixaram o país. A grande maioria deles – mulheres, idosos e crianças -, foram para a Polônia.

Mas há muitas pessoas ainda resistindo bravamente na Ucrânia. Seja empunhando armas ou tocando seus instrumentos: os tristes sons de uma guerra, que jamais tem vencedores.

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Foto: reprodução vídeo

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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