Fotografando baleais-jubarte… e no Espírito Santo!

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Baleias sempre me pareceram seres muito distantes da minha vida. Quase que habitantes de um mundo de fantasia. Mesmo sendo um fotógrafo de natureza, as florestas sempre fizeram parte do meu ambiente, minha zona de conforto. Entretanto, desde criança gostava dos oceanos, mas me limitava aos mergulhos para ver os peixinhos de corais no fundo do mar.

Mas baleias… Nunca imaginei nem ver alguma de longe na natureza. O pensamento era: “Até parece que no Espírito Santo, estado no qual eu moro, tinha baleia!”

Sempre assisti, nos documentários na TV, aqueles animais enormes… Imensos, quando comparados com barcos ou mergulhadores. Imaginava como deveria ser emocionante vê-los de perto e como eram privilegiados os pesquisadores que estudam esses mamíferos marinhos.

Um dia, lá pelos idos de 2014 e 2015, alguns colegas, que trabalhavam voluntariamente para organizações não governamentais (eu também sou voluntário, no Instituto Últimos Refúgios), vieram falar comigo, perguntando se eu sabia que em Vitória tinha baleia.

Eu, acreditando conhecer muito sobre a biodiversidade da minha cidade, respondi: “Ah, deve ter uma ou outra perdida nesse marzão! Mas nunca ouvi falar…”

Meus colegas riram e me disseram que tinham recebido uma dica de outros pesquisadores de que muitas de baleias-jubarte passavam por nosso estado. Eu sorri, debochadamente.

As baleias-jubarte são uma das espécies mais interessantes que conheço. Saltam, cantam e brincam entre si e com outros mamíferos marinhos. Elas são migratórias, alimentando-se na Antártida e voltando para o Brasil na época da reprodução (entre junho a novembro).

No impulso da novidade, meus colegas me convidaram para tentar ver e fotografar ao menos uma baleia… Para provar que elas realmente estavam por aqui. Eu quase recusei, pois acreditava que estaria perdendo tempo. Porém, para valorizar a amizade, fui.

Zarpamos de um píer em Vitória, em direção ao alto mar, antes do nascer do sol. Era uma manhã sem vento e com ondulação baixa. Navegamos por cerca de 15 minutos mar adentro, na espera de algum sinal. Passamos por tartarugas, aves pelágicas (que eu já adorei, por ser observador de aves).

Estávamos ainda bem próximos da costa, antes de cruzar com os navios ancorados, esperando na fila para entrar no porto, quando, de repente, um pequeno borrifo de água foi visto. E alguém grita: “BALEIA!”.

Todos voltam sua atenção para aquela direção. Aos poucos nos aproximamos do que seria “a minha primeira baleia-jubarte”! Era uma mamãe enorme! 

Na mesma hora, meu instinto de fotógrafo me instigou a tentar mostrar não só a baleia, mas também contextualizar o local onde ela estava. Pedimos para o capitão do barco posicioná-lo de uma forma que eu conseguisse fotografar a baleia mostrando a costa.

Quando percebi que a baleia estava entre mim e o Convento da Penha (um dos cartões postais do Espírito Santo), na mesma hora entendi a importância daquele registro, que foi a prova, no sentido de divulgação científica, de que o Espírito Santo tinha mesmo baleias.

Nessa mesma expedição, vimos cerca de 80 baleias, em aproximadamente cinco horas de navegação. Não conseguia acreditar que tínhamos tantas baleias passando pelas águas capixabas. 

Foi naquele momento que surgiu o Projeto Amigos da Jubarte, uma co-realização entre o Instituto Últimos Refúgios e o Instituto O Canal. Um projeto de conservação que trabalha através da pesquisa e difusão científicas, educação ambiental e fomento ao turismo.

Desde então, depois de cinco anos de projeto, já registramos milhares de baleias, conseguimos, somando forças com nossos muitos parceiros, colocar o Espírito Santo no circuito nacional de observação de baleias e transformá-las em um símbolo do ecoturismo no estado, fomentando e fortalecendo o início da observação de baleias por aqui. 

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Tenho muito orgulho de ter contribuído com esse movimento como coordenador de comunicação de mídias do Projeto Amigos da Jubarte. Acredito que minhas imagens são importantes ferramentas para minhas batalhas, tendo em mente que uma imagem pode ser mais poderosa do que um fuzil.

Adoro fazer minhas fotos e vídeos, porém, minha real paixão é a natureza. Sou ambientalista!

Para aqueles que têm interesse em ver as baleias no Espírito Santo na temporada 2020, é só entrar neste link do Projeto Amigos da Jubarte.

💙🐋 O Projeto Amigos da Jubarte é uma co-realização do @ultimosrefugios e @institutoocanal em parceria com a @valenobrasil @ufesoficial e apoio de @_larmar_

Mídias do Léo:
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Mídias do Projeto Amigos da Jubarte:
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Leonardo Merçon

Fotógrafo de natureza e conservação, é fundador do Instituto Últimos Refúgios, ONG sem fins lucrativos que busca sensibilização ambiental através da cultura, em especial, fotografias e vídeos. Leonardo já realizou diversas exposições no Brasil e também na Alemanha, Itália e França. Tem cinco livros publicados, quatro documentários em vídeo, séries para TV/Youtube e matérias veiculadas na BBC, National Geographic Brasil, Fantástico, Google Arts & Culture

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