A Flor de Lótus e o meio do caminho

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A Flor de Lótus é um símbolo sagrado para o budismo, pois representa a pureza do espírito. Biologicamente, é uma flor aquática que se enraíza em fundo lodoso de lagos, e um pendão cresce em direção à superfície até o momento em que a flor, ainda fechada, sai para fora da água. Daí, então, ela desabrocha.

Quando viajei pela Indochina e China, alguns anos atrás, tive a oportunidade de ouvir uma outra história. A metáfora que me contaram, e que tem a ver com um dos princípios do budismo, é a seguinte:

Não adianta falar sobre o calor do Sol
para a Flor de Lótus que está no lodo.
Ela não vai acreditar. 

Da mesma forma, não adianta falar sobre o calor do Sol
para a Flor de Lótus que já está fora d’agua, pois ela já está vendo o Sol. 

É preciso falar sobre o Sol para a Flor de Lótus que está no meio do caminho.
Isto será um estímulo para ela continuar sua ascensão em direção à luz.

Esta verdade universal acalenta muitas incompreensões que temos neste mundo moderno. Quantas vezes, ao vermos situações que nos parecem absurdas, pensamos: “Como esta pessoa é capaz de fazer isto? Como isto pode acontecer?”

Se enxergarmos estas situações pela ótica desta metáfora, tudo começa a fazer um pouco mais de sentido. E, assim, aumenta nossa compreensão sobre algumas questões aparentemente insolúveis, principalmente nas que envolvem relações e atitudes humanas.

Partindo do princípio de que os leitores que navegam neste site, Conexão Planeta, buscam uma conexão com este planeta vivente e acreditam nos mesmos conceitos, desejo de coração que encontremos cada vez mais “pessoas no meio do caminho” para falar sobre o calor do Sol. Para que possamos propagar  a ideia de que o individualismo e o egocentrismo não levam a lugar nenhum, e apenas um movimento conjunto pode mudar a ordem das situações.

Cada um de nós tem que soprar no ouvido alheio: “Olha, o Sol está lá em cima, genuíno e gratuito para todos. Sem exceção”.

Uma feliz conexão com este planeta em 2016!

Adriano Gambarini

Geólogo formado pela USP e especializado em Espeleologia, é fotógrafo e escritor desde 1992 e um dos mais ativos profissionais na documentação de projetos conservacionistas e etnográficos da atualidade. Autor de 13 livros fotográficos, dois de poesia e centenas de reportagens publicadas em revistas nacionais e estrangeiras. Ministra palestras e encontros sobre fotografia, conservação e filosofia de viagem.

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