A ativista indígena Alice Pataxó apresenta o podcast ‘Hora do Planeta’, que reflete sobre temas como juventude, meio ambiente e clima

Alice Pataxó é da etnia Pataxó, do sul da Bahia, e nasceu na Aldeia Craveiro, na Cidade do Prado. Seu nome indígena (na língua-Patxôhã) é Nuhé e batiza seu canal no YouTube. Desde os 14 anos, milita pela causa e resistência indígenas, influenciada pelos ataques e conflitos que marcaram o processo de reintegração de posse da Aldeia Araticum, em 2015.

Ela faz parte da juventude indígena que escolheu a comunicação para atuar e tem sido uma das vozes mais influentes nesse movimento, sendo considerada uma das jovens lideranças. 

Jornalista e influenciadora digital, diariamente conta sobre a etnia Pataxó e a preservação da cultura de seu povo nas redes sociais: Instagram, onde tem mais de 140 mil seguidores, e Twitter, com mais de 112 mil. Recentemente, junto com Txai Suruí, outra jovem liderança, ganhou o prêmio ‘Faz Diferença’ que reconhece brasileiros inspiradores.

Agora, como embaixadora do WWF-Brasil, a partir de hoje, 8 de junho, ela apresenta o podcast Hora do Planeta, no perfil da organização no Spotify.

No novo programa, Alice compartilha reflexões sobre temas como juventude, justiça climática, luta socioambiental e soluções para enfrentar a crise climática, com quatro convidados. São eles: Fátima Cabral (Comunidade que Sustenta a Agricultura Pé na Terra), Amanda Costa (Periferia Sustentável), Val Munduruku (Surara dos Tapajós) e Hannah Balieiro (Instituto Mapinguari).

São quatro episódios – um por semana – e o primeiro está no ar: Alice conversa com Fátima Cabral, agricultora agroecológica, agroflorestal e orgânica.

 “Os episódios têm um clima descontraído. Aprendi bastante sobre agenda do clima e meio ambiente conversando com essas convidadas incríveis”, conta Alice. “O podcast é uma continuidade dos eventos da Hora do Planeta, é um chamado para que a gente reflita e construa juntos o nosso futuro”.

Sobre o movimento

Hora do Planeta é o principal movimento ambiental global da rede WWF – World Wildlife Fund (Fundo Mundial da Natureza, em tradução livre), que surgiu em 2007, em Sydney, na Austrália, com a intenção de inspirar indivíduos, comunidades, empresas e organizações a apagarem as luzes por uma hora como forma de mostrar sua preocupação com o planeta.

Desde o início, a Hora do Planeta se concentrou na crise climática e, com o tempo, também passou uma de suas causas: a devastação da natureza. “O objetivo é criar um movimento similar ao que aconteceu quando o mundo se uniu para enfrentar as mudanças climáticas”, destaca a organização em seu site.

No Brasil, o primeiro evento foi realizado em 2009. Este ano, a Hora do Planeta aconteceu em 26 de março e teve a adesão de mais de 190 países e territórios. Agora, seu nome famoso ultrapassa os limites do evento no Brasil, com o podcast apresentado por Alice.

Giselli Cavalcanti, estrategista de campanha do WWF-Brasil, explica a intenção:

“Conhecida pelo apagar das luzes, a Hora do Planeta é um marco, mas ações concretas devem ser realizadas todo o ano. O podcast é uma forma de ampliar as discussões sobre como pessoas e meio ambiente são impactados pela crise climática. Em cada episódio, as convidadas trazem contribuições importantes, com soluções e perspectivas que mostram a urgência de ações que protejam o nosso planeta”.

Foto: Edgar Kanaykõ/WWF-Brasil

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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