A ativista Greta Thunberg provoca negacionistas do clima ao citar estudo que relaciona ‘redução do pênis’ com poluição

“Vejo vocês na próxima greve climática!”, escreveu a jovem ativista Greta Thunberg, em seu Twitter, após publicação de estudo que aponta que os pênis humanos estão ficando cada vez menores devido ao aumento da poluição.

Ela zombava, obviamente, dos que negam as mudanças climáticas, indicando o link de um artigo – divulgado no Twitter do canal de televisão inglês Sky News – que explicava a pesquisa e dizendo que certamente os encontraria no próximo protesto pelo clima, que continua ganhando adeptos de todas as idades, pelo mundo todo, desde que ela fez sua primeira greve solitária em agosto de 2018. 

tweet de Greta repercutiu e viralizou, claro! Mais de 50 mil pessoas curtiram e compartilharam seu comentário, publicado na noite de quinta-feira, 25 de março. E ele ainda ganhou comentários de todo tipo: jocosos, agressivos e bem humorados. Entre estes, destaco alguns aqui: 
– “Isso vai colocar os homens a bordo! Finalmente algo com o que eles se importam!” 
– “Greta Thunberg, a melhor sniper da rede”
– “Ninguém é pequeno demais para fazer a diferença”
– “Agora vocês [homens] vão prestar atenção?”.

O que diz o estudo

A pesquisa citada pela ativista climática foi realizada pela Dra. Shanna Swan, PhD em epidemiologia reprodutiva e seus colegas do Mount Sinai Medical Center (Centro Médico Monte Sinai), de Nova York, Estados Unidos. 

O estudo destaca que produtos químicos relacionados ao aquecimento global e à indústria plástica têm registrado efeitos negativos perturbadores no desenvolvimento sexual, que incluem tanto redução significativa na contagem de espermatozoides como a redução no tamanho dos pênis

E isso nos levará a uma crise de fertilidade: “o estado atual dos assuntos reprodutivos não pode continuar por muito mais tempo sem ameaçar a sobrevivência humana”.

A pesquisa se baseia em estudo de 2017, do qual a Dra. Shanna foi co-autora, quando ela começou a examinar o ftalato, substância química encontrada em plásticos diversos como brinquedos, cosméticos, embalagens de alimentos, copos, tubos de PVC e produtos farmacêuticos, entre outros.

Depois de identificar e estudar a síndrome dessa substância em ratos, a epidemiologista descobriu que muitos dos fetos expostos à ela nasciam com órgãos genitais encolhidos. 

Em seu livro Contagem regressiva: como nosso mundo moderno está ameaçando a contagem de espermatozoides, alterando o desenvolvimento reprodutivo masculino e feminino e ameaçando o futuro da raça humana, explica que as emissões produzidas pela fabricação de ftalato vão afetar não só o tamanho dos pênis, mas as taxas de fertilidade da população mundial

A pesquisa aponta que a taxa de espermatozoides caiu 60% entre 1973 e 2011 e continuará a cair por conta da indústria plástica e do aquecimento global.

‘Pirralha’

Bolsonaro e o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estão entre os homens que negam as mudanças climáticas e influenciaram muita gente negativamente em seus países.

Também já atacaram Greta em pronunciamentos presenciais ou pelas redes sociais. Em dezembro de 2019, o presidente brasileiro chamou-a de pirralha, lembra?

Bolsonaro se referiu à Greta assim, quando foi questionado por jornalistas sobre as mortes de dois indígenas da etnia Guajajara em atentado ocorrido no Maranhão, como contamos aqui.

“A Greta já falou que os índios morreram porque estavam defendendo a Amazônia. É impressionante a imprensa dar espaço para uma pirralha dessa aí!”.

A resposta da jovem à “ofensa” do presidente foi sensacional: adotou-a em sua descrição no Twitter, como mostra a imagem acima.

Agora, certamente lembrou de ambos ao ironizar todos os que negam o aquecimento global e se negam a combatê-lo: “Vejo vocês na próxima greve climática!”.

Abaixo, os tweets publicados por Greta e pelo Sky News:

Foto: reprodução Facebook Greta Thunberg

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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