A árvore mais antiga da Amazônia inspira o concurso fotográfico ‘Qual sua árvore afetiva?’. Inscrições até 31/3

Você tem uma árvore favorita na região onde mora? Aquela que te alegra assim que você a vê e que sempre a fotografa para divulgar nas redes sociais? Da qual você nem sabe a espécie ou que te levou à uma profunda pesquisa para descobri-la? Que marcou algum momento importante de sua vida e que pode estar longe, em algum lugar do Brasil pra onde viajou?

O cientista alemão Jochen Schöngart, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA) tem uma paixão assim. Ele a descobriu há mais de 20 anos, na Amazônia e é sobre ela que vou contar aqui, antes de falar do concurso.

Longeva e ameaçada


A árvore mais antiga da Amazônia inspira o concurso fotográfico 'Qual sua árvore afetiva?'. Inscrições até 31/3
Foto: Jochen Schöngart

A fascinante Macacarecuia (Eschweilera tenuifolia (O.Berg) Miers) ou Cuieira das fotos acima e abaixo deve ter aproximadamente mil anos – 1.200, talvez – e resiste a condições extremas, submersa nas águas do Rio Negro, na Bacia Amazônica, durante dez meses por ano.

O encontro de Schöngart com o indivíduo dessa espécie aconteceu vinte anos depois que ele chegou à Amazônia. Ele atravessou o Atlântico para trabalhar como dendrocronologista, ou seja, para estudar a idade e o ciclo de vida das árvores da floresta. E por aqui ficou.

Foi numa de suas expedições científicas que ele identificou que, viver boa parte de sua existência sob as águas caudalosas desse rio icônico, garante a longevidade dessa que é uma das árvores mais antigas do bioma.


A árvore mais antiga da Amazônia inspira o concurso fotográfico 'Qual sua árvore afetiva?'. Inscrições até 31/3
Foto: Jochen Schöngart

“Ele publicou artigo cientifico sobre sua descoberta mas, quando decidiu se aprofundar mais no estudo da espécie, se deu conta de que a Macacarecuia está passando por um processo de extinção“, explica Lilian Fraiji, diretora do LabVerde, que desde 2013 realiza um trabalho lindo em parceria com o Inpa, aliando ciência e arte.

“Nesse momento, Jochen deixou de estudar a vida da árvore pra estudar o impacto humano sobre ela. E eu gostaria de destacar um detalhe muito importante: Jochen tem uma prática que é bastante moldada pelo envolvimento afetivo com essa espécie. Ele se engaja sensivelmente, politicamente e afetivamente com a Macacarecuia“.

E foi esse engajamento sensível que tornou possível a aproximação entre o cientista e o coletivo britânico de arte e tecnologia Invisible Flock – por intermédio do LabVerde – e o desenvolvimento do trabalho artístico ao qual foi dado o nome de Iara.

Iara: uma leitura poética para uma pesquisa científica

A árvore mais antiga da Amazônia inspira o concurso fotográfico 'Qual sua árvore afetiva?'. Inscrições até 31/3
Fotograma do vídeo-arte

A partir de um vídeo arte, o coletivo procura entender o ciclo de vida desta árvore tão magnífica e tão longeva que habita os igapós da Amazônia, mas está ameaçada.

Usando tecnologia de ponta – com a captura de imagens 3D scanner, intercaladas com dados de mais de 100 anos de registro do pulso das águas da Bacia Amazônica – o vídeo nos convida a refletir sobre os impactos humanos no planeta, visto que a construção de hidrelétricas na Amazônia, está levando essa importante espécie à extinção.

Revela como as árvores da Amazônia exercem funções importantíssimas para o país, principalmente relacionadas à manutenção dos ciclos das chuvas em todo o Hemisfério Sul.

Fotograma do vídeo-arte

“O vídeo deixa em evidência que esse ser existe há milhares de anos, tem uma história profunda com o espaço, com a atmosfera e com os seres que habitam aquele espaço, e nos coloca diante de uma outra dimensão do tempo. Um tempo cíclico, que não é linear e que não obedece as regras do capitalismo ou dos ponteiros do relógio“, destaca Lilian.

Somos levados a uma viagem no tempo para um passado distante, no qual a árvore anciã já habitava os igapós da Amazônia

A pesquisa de Jochen sobre a árvore mais antiga da Amazônia ganhou uma bela leitura poética.

E Lilian acrescenta: “A ciência traz dados, fatos e objetividades. A arte trabalha com valores, sentimentos e subjetvidades. Este trabalho do Invisible Flock é resultado da aliança dessas duas áreas e busca democratizar valores ambientais com a conscientização da população sobre os fenômenos da Amazônia“.

Esse é também o conceito do festival O Amanhã é Agora, que o LabVerde está desenvolvendo – unindo a arte e a ciência aos saberes tradicionais -para a primeira semana de junho, quando será celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente (5), e do concurso fotográfico.

Qual sua árvore afetiva?

Para estimular uma maior reflexão sobre a natureza e o tempo e “uma nova relação com esses seres incríveis”, o LabVerde promove este concurso fotográfico para documentar, mapear e divulgar as árvores brasileiras a partir do afeto, com prêmios em dinheiro no valor total de 4 mil reais.

Para participar, você deve publicar uma foto da sua árvore afetiva no Instagram, até 31 de março, com a hashtag #minhaavoreafetiva e marcar o perfil do LabVerde.

Na legenda, conte porque a árvore é especial para você ou para o ecossistema onde está localizada, e indique em qual categoria gostaria de concorrer. São quatro – Árvore Monumento, Árvore Resistência, Árvore Frutífera e Árvore em Flor.

Os vencedores serão anunciados em junho, durante o Festival Labverde: O Amanhã é Agora.

Agora, assista ao vídeo-arte do coletivo Invisible Flock.

Foto (destaque): Jochen Schöngart

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.