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A arma para tentar salvar da extinção aves vítimas da malária no Havaí? Milhões de mosquitos!

A arma para tentar salvar da extinção aves vítimas da malária no Havaí?: milhões de mosquitos

O arquipélago do Havaí é um dos grandes hotspots de biodiversidade do planeta. Mais de 90% das plantas e animais encontrados em suas ilhas e águas são endêmicas, ou seja, só existem ali e em nenhum outro lugar do mundo. Infelizmente, com a chegada dos seres humanos na região, especialmente os exploradores, 71 das 115 espécies de aves nativas foram extintas. Entre elas estão os chamados honeycreepers, que das 50 espécies existentes no passado, atualmente só restam 17 – a maioria delas em risco de extinção.

Além da perda de habitat, uma das principais ameaças a esses pássaros nos dias de hoje é a malária aviária, que chegou ao Havaí trazida por mosquitos no início de 1900. Sem imunidade à doença, com apenas uma picada, 90% deles acabam morrendo. Em florestas de altitudes mais baixas, com a temperatura mais alta, rapidamente esses insetos se propagaram, dizimando populações inteiras de honeycreepers.

É nas áreas de montanhas, no alto, entre 1.200 e 1.500 metros, com o clima mais ameno, que esses pássaros ainda conseguem se proteger do mosquito causador da malária. Todavia, com o aumento da temperatura global, provocada pelo aquecimento global, mesmo em altitudes mais elevadas, o perigo cresce para a sobrevivência dos últimos honeycreepers.

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No Parque Nacional de Haleakalā, em Maui, por exemplo, estima-se que existam menos de 200 kiwikiu (Pseudonestor xanthophrys) – eram aproximadamente 500 entre a década de 80 e o começo dos anos 2000. Já os 450 akikikis (Oreomystis bairdi), observados na ilha de Kauai, em 2018, foram reduzidos para cinco indivíduos em 2023 e este ano, somente um deles foi avistado.

Agora uma nova, e talvez a última esperança, chega dos céus para que essas espécies tão simbólicas do Havaí não desapareçam por completo. Mas especificamente, trazidas por helicópteros.

Milhões de mosquitos estão sendo soltos no ar em um esforço conjunto idealizado por várias organizações, entre elas, o Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos, o governo do Havaí. O projeto foi batizado de Birds, Not Mosquitoes – Aves, Não Mosquitos, na tradução para o português.

Os 250 mil mosquitos machos que têm sido soltos semanalmente sobre as florestas carregam a bactéria Wolbachia, que funcionará como um tipo de contraceptivo natural para controlar a proliferação dos insetos.

“Essa bactéria vive naturalmente na maioria dos insetos e impede que seu hospedeiro produza descendentes viáveis ​​com parceiros que tenham uma cepa de Wolbachia, mesmo que ligeiramente diferente. Ao contrário das técnicas de insetos estéreis (SIT), os mosquitos com Wolbachia incompatíveis ainda podem procriar, mas os ovos resultantes não eclodirão. Como uma peculiaridade da biologia reprodutiva do mosquito, uma fêmea acasala apenas uma vez e não acasalará novamente. Este aspecto da história natural do inseto apresenta uma oportunidade para criar um método seguro para reduzir sua produção reprodutiva”, explicam os especialistas do Serviço de Parques dos EUA.

Outra estratégia que tem sido adotada para salvaguardar as últimas populações de algumas espécies de honeycreepers é a identificação exatas dos locais onde elas ainda ocorrem e concentrar ao máximo os esforços de proteção nessas áreas.

Até este momento, já foram liberados 10 milhões de mosquitos contendo a bactéria Wolbachia. A técnica não é inédita, já foi utilizada com o propósito de reduzir esses insetos em países como China e México, com bons resultados.

A arma para tentar salvar da extinção aves vítimas da malária no Havaí?: milhões de mosquitos

O Culex quinquefasciatus, espécie de mosquito responsável por transmitir a malária aviária no Havaí
Foto: National Park Service

Os honeycreepers do Havaí

Historiadores estimam a chegada ao Havaí dos ancestrais dos honeycreepers – um grupo de pintassilgos asiáticos – há cerca de 5 a 6 milhões de anos, em Niʻihau e Kauaʻi, as ilhas mais antigas das atuais principais ilhas havaianas.

Desse ancestral do pintassilgo, pelo menos 50 espécies novas espécies evoluíram no Havaí. Além das diferentes e brilhantes cores e os bicos em formatos diversos, essas aves se adaptaram a uma dieta mais ampla, que foi ampliada além de só sementes para insetos, néctar e também os caracóis-da-terra nativos do arquipélago.

Existe uma história clássica da tradição oral do Havaí chamada Kumulipo. Ela narra a criação do universo, a vida do mar, da terra e do céu, e termina com o nascimento dos deuses havaianos e a criação dos seres humanos. Nela, os pássaros chegam às ilhas durante o terceiro – ou época. Em comparação, os principais deuses não apareceram até o oitavo – com os humanos sendo criados depois disso. A lenda mostra a importância das aves para esse povo e mostra como esses pássaros já faziam parte desse território muito antes dos kānaka maoli (nativos havaianos).

A arma para tentar salvar da extinção aves vítimas da malária no Havaí?: milhões de mosquitos

No mais recente levantamento feito em Kauai, apenas um akiki foi avistado
Foto: © Robby Kohley / Birds, Not Mosquitoes

*Com informações do National Park Service, Birds, Not Mosquitoes e The Guardian

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Foto de abertura: © Jim Denny / Birds, Not Mosquitoes (Drepanis coccinea)

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