8a. edição da Mostra Ecofalante exibe 133 filmes com temas socioambientais, de 32 países, em São Paulo. Vamos?

O mais importante evento de audiovisual dedicado a temas socioambientais da América do Sul foi criado por Chico Guariba, há sete anos. Lembro bem. Cheio de sonhos e abusado, ele acreditou que era possível e necessário realizar um festival de cinema , em São Paulo, dedicado aos assuntos que nos são tão caros, a nós todos, todos os dias. E assim o fez. Hoje, não há outro com sua dimensão e importância. Uma referência quando se trata de filmes de longa e curta metragens que falam da importância da preservação do meio ambiente, da justiça e do respeito à vida, revelando iniciativas de impacto positivo, mas também sobre a forma veloz e competente – gananciosa e cega também – com que o ser humano está destruindo o planeta.

Pois hoje, 30 de maio, começa a 8ª. edição da Mostra Ecofalante de Cinema Sociambiental, com 133 filmes de 32 países, que serão exibidos em 39 espaços (cinemas, Sescs, centros culturais, CEUs), além da plataforma Spcine Play, até 12 de junho, gratuitamente, coincidindo com a Semana do Meio Ambiente

Acompanhe a programação no site da mostra e nas redes sociais: Facebook, Twitter e Instagram.

No Panorama Histórico estão presentes as utopias e o cinema militante pós-68, com obras de grandes diretores como Agnès Varda, Michelangelo Antonioni, Chris Marker, Frederick Wiseman, Robert Kramer e Glauber Rocha, como também do grande homenageado deste ano, o brasileiro Silvio Tendler. A curadoria selecionou onze títulos, incluindo obras de referência como Os Anos JK – Uma Trajetória Política (1980) e Jango (1984), duas das maiores bilheterias do cinema documental brasileiro de todos os tempos. 

Panorama Internacional Contemporâneo deste ano reúne 44 obras e foi organizado em sete temas: Cidades, Economia, Povos & Lugares, Recursos Naturais, Saúde, Sociobiodiversidade e Trabalho. Muitas obras-primas e denúncias de impacto entre eles. 

Na Sessão Infantil, apenas cinco curta-metragens exibidos em grandes e importantes festivais internacionais como o Short Film Corner do Festival de Cannes, o Festival de Animaçãode Annecy, o Animamundie o Dok Leipzig. Precisa mais?

Este ano, duas novidades passam a integrar a programação: a Mostra Brasil Manifesto e a Realidade Virtual.  

Na primeira, só produções brasileiras como o novíssimo  Amazônia, o Despertar da Florestania, da atriz Christiane Torloni e do cineasta Miguel Przewodowski; Frans Krajcberg: Manifesto, de Regina Jehá; a nova produção do premiado diretor Orlando Sena, A Idade da Água e O Amigo do Rei, de André D’Elia, (diretor de Ser Tão Velho Cerrado, vencedor em 2018 do prêmio de público da mostra de 2018)e o longa-metragem Humberto Mauro, de André di Mauro, uma homenagem.

Na segunda nova sessão, dois projetos realizados em ‘realidade virtual’, expandindo os limites da linguagem audiovisual para ‘levar’ o espectador para outro espaço e outra realidade. Um brasileiro, outro chinês: Mudanças Climáticas: O Preço do Banquete viaja aos confins da terra para descobrir as pessoas e os lugares mais atingidos pelas mudanças climáticas e a animação realista Micro-Gigantes permite experimentar o ecossistema a partir da perspectiva única do “micro mundo” dos insetos. 

E as competições? Na Competição Latino-Americana, 24 produções da Argentina, Brasil, Colômbia, México, Peru e Venezuela. No júri, os cineastas Tadeu Jungle e Lina Chamie, além do crítico Heitor Augusto. No Concurso Curta Ecofalante13 trabalhos produzidos em Alagoas, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, São Paulo e Santa Catarina, representando todas as regiões do país. 

Mas tem mais: as atividades paralelas que, este ano, destacam a 2ª. edição do Seminário de Cinema e Educação – em 3 e 4 de junho -,realizada em parceria com o Sesc São Paulo, que provocará duas importantes reflexões sobre o potencial pedagógico do uso do cinema na escola:  “O Que o cinema ainda tem a ensinar às novas gerações”, com Ismail Xavier, e “O que pode o cinema na escola? Experiências, corte, montagens, espacialidades e encontros”.

Foto: Divulgação

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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