600 galões de diesel são despejados em Galápagos, em acidente, mas governo age rápido para conter danos ambientais

Ao assistir o vídeo do “acidente” com o contêiner que transportava 600 galões de diesel, num porto da Ilha de Saint Cristóbal, em Galápagos, a primeira palavra que vem à minha mente é negligência. Por maior que seja a segurança desse tipo de operação, não me parece possível que alguém tenha coragem de arriscar mover uma carga tão pesada para dentro de uma embarcação daquela forma, num local considerado Patrimônio Natural da Humanidade, um dos ecossistemas mais frágeis do mundo, distante mil quilômetros do continente.

Mas claro que escrevo isto movida pelo coração, não embasada por conhecimento técnico. Me parece óbvio – assim como nos casos da mineração, com as barragens de contenção de lama tóxica – que desastres são inevitáveis e podem ser fatais, tanto para os ecossistemas, como para os seres humanos e não humanos.

A quebra das correntes que seguravam o contêiner ao guindaste – por falta de manutenção ou uma manobra desastrada? – e transportavam a carga para uma embarcação, provocou o acidente. O contêiner caiu sobre parte da embarcação, que foi a pique, e afundou. Uma pessoa ficou ferida.

Dentro dos galões há 2.300 litros de diesel. Mas, ao contrário do que aconteceu aqui, no Brasil, com o vazamento de óleo no litoral nordestino, o governo do Equador agiu rápido. Declarar estado de emergência, mas, ontem mesmo, divulgou que a situação estava sob controle.

Os protocolos de emergêncialembram de especialistas questionando o ministro Ricardo Salles sobre eles? – foram ativados para reduzir o impacto ambiental do desastre. Em comunicado, a secretaria de comunicação da Presidência divulgou que o Comitê de Operações de Emergência (COE) adotou “ações imediatas para reduzir o risco ambiental” nas Ilhas Encantadas, que compõem a reserva da biosfera onde o naturalista britânico Charles Darwin desenvolveu a teoria da evolução das espécies.

“Assumimos o controle da situação e mobilizamos um conjunto de ações para mitigar possíveis impactos… e a operação de intervenção controlou a mancha de combustível”.

Mas que medidas seriam essas? De acordo com funcionários de uma organização que monitora o Parque Nacional de Galápagos (PNG) e também de membros da Marinha do Equador, foram colocados panos absorventes de combustível e barreiras de contenção de derramamento ao redor da zona do naufrágio. “Isto impediu a dispersão de qualquer produto que pudesse vazar”, ressalta o boletim oficial.

Outro detalhe da operação que vale destacar é a coordenação de ações entre unidades da Marinha, da Polícia Nacional e do Parque Nacional para conter e avaliar os danos ambientais. Sem esse trabalho conjunto e afinado, seria impossível evitar o pior.

O arquipélago de Galápagos ganhou esse nome devido à presença de raras tartarugas gigantes que vivem no Oceano Pacífico e integram parte da reserva natural onde Darwin esteve e se encantou.

Fotos: Mac Gaither (leão marinho) e Dustin Haney (tartaruga), do Unsplash

Fontes: DW, Folha de São Paulo, G1

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Um comentário em “600 galões de diesel são despejados em Galápagos, em acidente, mas governo age rápido para conter danos ambientais

  • 29 de dezembro de 2019 em 8:05 PM
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    A diferença entre os dois acidentes é que um foi até filmado, e outro, não se sabe, a quantidade, quem, quando e aonde aconteceu.

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