4.700 tartarugas marinhas, atordoadas pelo frio intenso, são resgatadas no Texas

A onda de frio avassaladora – e sem precedentes em um século -, que atinge a região sul dos Estados Unidos, em especial o Texas, deixou milhares de tartarugas marinhas atordoadas.

Elas foram encontradas nas praias da ilha de South Padre – na Baía de Laguna Madre -, na costa sul desse estado, completamente paralisadas.

Como todo animal de sangue frio, quando a temperatura sofre quedas bruscas, as tartarugas marinhas tornam-se extremamente vulneráveis à hipotermia e ficam atordoadas, incapazes de se mover.

No domingo, os termômetros registraram 18 graus negativos no Texas. Na terça, chegaram a 22 graus negativos. E a previsão não é nada animadora até o final desta semana.

Mais uma prova do aquecimento global? Certamente. Extremos climáticos são uma das sequelas das alterações do clima provocadas pelos gases de efeito estufa. E estão cada vez mais intensos e próximos.

Tanques para aquecer

Foto: Sea Turtle / Reprodução: Facebook

Assim que identificaram os animais à deriva, voluntários e especialistas se uniram para salvá-las, sob orientação do centro de pesquisas Sea Turtle Inc.

4.700 tartarugas marinhas foram resgatadas e levadas para um centro de convenções, onde serão mantidas em tanques e outros compartimentos até que a temperatura da água se eleve.

“É um acontecimento sem precedentes”, declarou de Wendy Knight, diretora-executiva do Sea Turtle, Ela contou, nas redes sociais do centro, que, em um inverno normal, a quantidade de tartarugas que aparece nas praias, nessas condições, pode variar entre 100 a 500, nunca mais do que isso.

Faz parte da rotina local o resgate de tartarugas “atordoadas pelo frio”, tanto que o centro sempre comunica esse “evento” e convida os moradores e turistas a visitar o centro para conhecer o trabalho realizado pelos profissionais para salvar esses animais.

Foto: Sea Turtle / Reprodução: Instagram

Este ano, quem estava por perto e ama esses animais, teve que colocar a mão na massa para ajudar no resgate.

No Instagram do Sea Turtle, Wendy agradeceu: “Atos altruístas como o do Capitão Henry” – que, com seu barco, resgatou mais de 100 tartarugas e depois levou voluntários para ajudar – “nos lembram da comunidade maravilhosa e dedicada da qual temos a sorte de fazer parte”.

O Texas tem sofrido apagões de energia devido às baixíssimas temperaturas, que deixaram os cidadãos sem aquecimento residencial e, claro, impactaram o centro de convenções onde estão as tartarugas.

Por prevenção, algumas foram transferidas para a sede do Sea Turtle – que ainda dispunha de energia. Mas, ontem, 17 de fevereiro, a água e a energia foram restabelecidas na região. Do contrário, seria muito difícil mantê-las nas condições necessárias para que se recuperem.

Campanhas diárias: resgate e doações

Na foto, equipe de reabilitação conduz terapia a laser em uma jovem tartaruga-de-Kemp, muito comum no Golfo do México – Foto: Sea Turtle / Reprodução: Instagram

Em suas redes sociais, o Sea Turtle e Wendy Knight – tem sido bastante ativo, diariamente. Divulga notícias, mostra o que está sendo feito e indica seu contato para o caso de um de seus seguidores avisar tartarugas à deriva.

“Se você mora na área e vê uma tartaruga marinha encalhada na Baía de Laguna Madre ou na praia, ligue para nossa linha de emergência 24 horas por dia, 7 dias por semana: 956-243-4361. Nós o orientaremos sobre o que fazer a seguir”, indica em post no Instagram.

A instituição também faz campanha por doações para poder manter os custos desta ação, em especial.

“Se você não for capaz de se voluntariar fisicamente para procurar tartarugas, por favor, considere nos ajudar a compensar o enorme custo do tratamento destes pacientes doando para Sea Turtle Inc”, disse em outro post na mesma rede social.

Como se pode imaginar, é imprescindível a aquisição de alimentos para as tartarugas, a manutenção da temperatura dos tanques, limpeza…

Se você quer ajudar ou conhece alguém que mora nos Estados Unidos e poderia colaborar com as campanhas do Sea Turtle, siga e compartilhe suas redes sociais – Instagram e Facebook – ou o link direto do site para doações.

Foto: Sea Turtle/Diivulgação

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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