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29 ovos de papagaios contrabandeados da Amazônia são apreendidos no aeroporto de Miami e 24 sobrevivem!

29 ovos de papagaios contrabandeados da Amazônia são apreendidos no aeroporto de Miami e 24 sobrevivem!

Graças a um barulho estranho vindo de uma bagagem de mão – muito parecido com o chilrear emitido por aves – foi possível salvar ovos de papagaio que estavam sendo contrabandeados da Nicarágua para Taiwan.

Em 23 de março, no Aeroporto Internacional de Miami, desconfiado, oficial da alfândega pediu para Szu Ta Wu – que acabara de chegar de Manágua e fazia conexão em direção à Taiwan – abrir a mala. Sem resistência, ele revelou o conteúdo inusitado: havia 28 ovos e uma ave recém-nascida dentro dela. 

O contrabandista ainda declarou não saber a espécie dos animais e que foi pago por um amigo para buscar os ovos. Foi detido.

Rapidamente, o policial entrou em contato com o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA para receber orientação. Nesse momento, oito ovos haviam eclodido ou estavam em processo de eclosão. 

Foto: Rare Species Conservatory Foundation

O órgao colocou o policial em contato com a Rare Species Conservatory Foundation, fundação especializada na conservação de espécies, que ajudou a identificar os animais: papagaios.

Com a ajuda de Paul Reillo, diretor da fundação e professor da Florida International University (FIU), foi improvisada uma incubadora no aviário do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), no aeroporto, para garantir a sobrevivência dos animais até que à instituição fosse buscá-los no dia seguinte. A Dra. Stacy McFarlane, veterinária do órgão, foi quem cuidou deles até o momento da viagem.

Foto: Rare Species Conservatory Foundation

24 horas de cuidados

Apesar dos esforços – tanto da equipe da alfândega e da USDA, como da fundação -, cinco papagaios não resistiram. Mas a boa notícia é que os 24 sobreviventes estão sendo muito bem tratados, alimentados cinco vezes ao dia, um por um, de forma manual, e se desenvolvendo a contento, acompanhados pelos pesquisadores 24 horas por dia. 

No início, os regulamentos do USDA exigiam que os papagaios ficassem em quarentena por 45 dias, por isso, Reillo e sua equipe tinham que fazer uma super higienização antes de entrar e de sair da sala onde os pequenos estavam.  

Fotos: Rare Species Conservatory Foundation

Hoje, dois meses depois de descobertos, já estão quase totalmente emplumados e recebem alimentação sólida à base de frutas e ração, abrigados em gaiolas em um pequeno prédio escondido atrás de uma casa em Loxahatchee, comunidade rural perto de West Palm Beach, sob a coordenação Reillo.

Foto: Rare Species Conservatory Foundation

Mas que espécie de papagaio é essa?

Há 360 variedades de papagaio e, para fazer a identificação da espécie foi chamada uma equipe forense da FIU, que extraiu amostras de DNA das cascas dos ovos e das aves mortas.

A análise indicou que os 24 papagaios têm de 8 a 9 garras e são de duas espécies: 
the yellow naped Amazon ou papagaio de nuca amarela  (Amazona ochrocephala auropalliata) e
red-lored amazon ou red-lored parrot ou papagaio vermelho (Amazona autumnalis), ambas nativas do sul do México, América Central e norte da América do Sul (Amazônia).

Por seu temperamento tranquilo e beleza, essas são as duas espécies mais populares no tráfico de animais silvestres, facilmente vendidas para viverem em gaiolas. 

O papagaio de nuca amarela é considerado pela organização BirdLife International como “criticamente ameaçado”, devendo existir entre mil e 2.500 indivíduos somente. A população do vermelho não está nesse estágio, mas decresce. Segundo Reillo, as maiores ameaças aos papagaios, no mundo, são a perda de habitat e o tráfico.

Que bom que, na bagagem – que Reillo descreveu como “um refrigerador ‘sofisticado’ com temperatura controlada” -, o papagaio recém-nascido (e talvez outros que estavam eclodindo) chilreou, evitando que todos fossem em direção ao destino que havia sido traçado para eles na Nicaragua. Certamente, a maioria não sobreviveria a uma viagem de 36 horas até Taiwan.

Paul Reillo, diretor da fundação conservacionista, quer repatriar os papagaios para seu país de origem / Foto: Rare Species Conservatory Foundation

O destino dos 24 papagaios ainda é incerto, mas o grande sonho de Paul Reillo é repatriá-los para seu país de origem.

Em 5 de maio, o taiwanês Szu Ta Wu se declarou culpado das acusações de contrabando das aves para os Estados Unidos. Por seu crime, pode pegar até 20 anos de prisão; a sentença deve sair em 1º de agosto. 

Veja, abaixo, o vídeo publicado pela Rare Species Conservatory Foundation no Instagram, que resume a trajetória destes bichos adoráveis desde que foram encontrados numa bagagem de mão.

Fontes: Rares Species Conservatory Foundation, AP, CBS News, Taiwan News

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