2020 teve número recorde de assassinatos de ambientalistas, ativistas e indígenas. Brasil é 4o país com mais mortes

2020 teve número recorde de assassinatos de ambientalistas, ativistas e indígenas. Brasil é 4o país em número de mortes

Apesar da pandemia global da covid e as medidas de distanciamento social e confinamento adotadas por países do mundo todo, o ano passado foi o mais letal para ambientalistas, ativistas e indígenas desde que a organização não-governamental britânica Global Witness começou a fazer um levantamento sobre a violência contra esses grupos em 2012.

Em 2020, foram registrados 227 homicídios, uma média de quatro pessoas a cada semana assassinadas por defender suas terras ou o meio ambiente. A violência envolve ainda ameaças, intimidação e abuso sexual. E a organização acredita que com o aumento dos impactos provocados pela crise climática esse cenário ficará cada vez pior.

De acordo com o relatório, mais de 50% de todas as mortes ocorreu em três países: Colômbia (65), México (30) e Filipinas (29). O Brasil aparece logo atrás no ranking, com 20 assassinatos.

Este é o segundo ano seguido que a Colômbia lidera a lista. “Os povos indígenas foram particularmente afetados e a pandemia da covid só serviu para piorar a situação. Os lockdowns fizeram com que os defensores fossem alvejados em suas casas e as medidas de proteção do governo foram suspensas”, denuncia a Global Witness.

Já o México, que estava na quarta posição no levantamento em 2020, teve um aumento de 67% no número de homicídios a defensores ambientais em relação ao ano anterior. Os conflitos decorrentes da extração de madeira são os responsáveis por quase um terço dos ataques e metade deles foi contra comunidades indígenas. “A impunidade dos crimes contra os defensores continua chocantemente alta – até 95% dos assassinatos não resultam em processo judicial”, afirmam os pesquisadores da organização.

2020 teve número recorde de assassinatos de ambientalistas, ativistas e indígenas. Brasil é 4o país em número de mortes

Como nos anos anteriores, a América Latina é a região que concentra o maior número de óbitos. Quase 3 em 4 foram registrados aqui. No Brasil e no Peru, a maioria deles aconteceu na Amazônia.

“Esses defensores correm risco porque vivem em ou perto de algo que alguma corporação está exigindo. Essa demanda – a demanda pelo maior lucro possível, o cronograma mais rápido possível, a operação mais barata possível – parece se traduzir, finalmente, no entendimento, em algum lugar, de que o encrenqueiro deve ir”, diz o jornalista, ambientalista e ativista americano Bill McKibben.

Ainda segundo a análise da organização internacional, aproximadamente 30% dos ataques estão vinculados à exploração de recursos naturais, como mineração, indústria madeireira, construção de usinas hidrelétricas, e também, ao avanço do agronegócio sobre áreas de floresta.

A Global Witness alerta que muitas empresas estão ligadas a toda essa violência, que na maior parte das vezes, fica impune. “Como o equilíbrio de poder está a favor das corporações, é raro que alguém seja preso ou levado a tribunal por matar defensores. Quando são, geralmente são os pistoleiros – os que estão segurando as armas, não aqueles que podem estar de outra forma implicados, direta ou indiretamente, no crime”, ressalta o relatório.

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Imagens: divulgação Global Witness

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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