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201 novos peixes de água doce são descritos: entre eles, nove bagres vampiros da Amazônia, que se alimentam de sangue

201 novos peixes de água doce são descritos: entre eles, nove bagres vampiros da Amazônia, que se alimentam de sangue

Pelo segunda vez consecutiva, a iniciativa internacional Shoal, uma parceria entre diversas instituições de pesquisa e conservação do mundo, entre elas a Academia de Ciências da Califórnia e a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), divulgou um relatório revelando todas as espécies de peixes de água doce descritas no ano que passou.

Em 2022, 201 novas espécies desses animais se tornaram oficialmente novas para a ciência – seja pela descoberta de algumas ou por estudos e análises que demonstraram que elas tinham sido confundidas com outras anteriormente.

Desse total, 88 delas têm como habitat a América do Sul. Outras 68 são peixes de água doce da Ásia, 25 da África, nove da Oceania, oito da Europa e três da América da Norte.

Entre as espécies destacadas pela Shoal estão o Moema juanderibaensis, um pequeno peixe encontrado em áreas de floresta tropical da Bolívia que, sob estresse, pode pular entre 30 e 50 cm para fora da água, ficar grudado em alguma folhagem esperando a ameaça passar por várias horas.

Após esse tempo o peixe que tem o nome popular de Juan Deriba consegue voltar à água, inclusive, em corpos d’água diferentes daquele que estava originalmente.

“Esta espécie só foi encontrada em poças temporárias dentro de florestas em bom estado de conservação e nas proximidades. Isso nos permite supor que a espécie tem um pequeno tamanho populacional, com
pequena área de ocupação (menos de 500 km2), possivelmente altamente fragmentada devido à perda de habitat causada pelo avanço da fronteira agrícola nas últimas décadas e a degradação ecológica associada que ainda persiste”, diz Heinz Arno Drawert, pesquisador do Museu de História Natural Noel Kempff Mercado e responsável pela descoberta. “Pessoalmente, acho que a espécie está ameaçada de extinção”.

201 novos peixes de água doce são descritos: entre eles, nove bagres vampiros da Amazônia, que se alimentam de sangue

O Moema juanderibaensis pode ficar horas fora d’água
(Foto: © Heinz Arno Drawert)

Outros peixes “curiosos” descritos no ano passado foram as nove espécies de bagresvampiros‘, observados em rios amazônicos da Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Venezuela e Brasil. Seus nomes já dão alguma pista: Paracanthopoma ahriman, Paracanthopoma capeta, Paracanthopoma carrapata, Paracanthopoma daemon, Paracanthopoma irritans, Paracanthopoma malevora, Paracanthopoma satanica, Paracanthopoma truculenta, Paracanthopoma vampyra… Traduzindo do latim, demônio, satântico, capeta, vampiro…

O bagre vampiro, da subfamília Vandelliinae, se alimenta do sangue de peixes maiores. Essas espécies são
muitas vezes conhecidas como candiru na Bacia Amazônica e tem a reputação perturbadora de nadar até uretras humanas para sugar o sangue humano (todavia isso é raríssimo, só existe um caso registrado em 1997).

“Eles são uma das espécies mais emblemáticas da história natural. Junto com os morcegos vampiros, são
vertebrados com mandíbulas que se alimentam exclusivamente de sangue quando adultos”, explicam os pesquisadores.

O relatório “New Species 2022” cita ainda duas novas espécies de peixes descobertas na Amazônia brasileira. Elas foram encontradas na região do rio Aripuanã, um afluente do Madeira, próximo ao município de Apuí, a mais de 1 mil km de Manaus. Ambas pertencem ao gênero Poecilocharax e à subfamília Crenuchinae, que teve sua última adição de uma espécie em1965.

“Pode ser uma surpresa para alguns saber que centenas de espécies de peixes de água doce são descritas todos os anos. Isso mostra o quanto ainda temos para aprender sobre o que existe sob a superfície das águas doces do planeta. Mais da metade de todas as espécies de peixes vivem nelas, o que é notável, considerando que menos de 1% da água da Terra é água doce líquida”, diz Kathy Hughes, representante do grupo de especialistas em peixes da IUCN. “No entanto, os humanos historicamente negligenciaram e maltrataram os habitats de água doce, o que significa que muitas dessas espécies incríveis correm o risco de serem perdidas”.

201 novos peixes de água doce são descritos: entre eles, nove bagres vampiros da Amazônia, que se alimentam de sangue

O Dario tigris, de Mianmar, possui lindas listras vermelhas e pretas
(Foto: © Frank Schäfer)

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Foto de abertura: divulgação Shoal

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