14 mil bombeiros trabalham para controlar 17 diferentes incêndios na Califórnia

14 mil bombeiros trabalham para controlar 17 diferentes incêndios na Califórnia

A situação é desesperadora. E ano a ano, parece que só piora. Desde meados de julho, bombeiros, brigadistas e voluntários trabalham sem cessar para controlar os incêndios florestais que se alastram pela Califórnia. Segundo informações do California Department of Forestry and Fire Protection (CAL FIRE), atualmente há 17 focos de fogo ativos, de norte a sul do estado. O número total de pessoas envolvidas no combate às chamas chega a 14 mil.

Assim como os furacões, os incêndios recebem nomes nos Estados Unidos. Dados de ontem, 26/07, mostram que o chamado Dixie Fire, que atinge os condados de Butte, Plumas, Tehama, Lassen e Shasta, é o mais voraz. Já destruiu uma área de 3 mil hectares, mas 45% dele está controlado. Enquanto isso, o Monument Fire, que arrasou até este momento 63 mil hectares, ainda tem 80% de seus focos ativos na região de Trinity.

Nesses dois meses, a Califórnia teve 670 mil hectares de vegetação queimada. Mais de 2 mil casas e edifícios foram destruídos ou tiveram suas estruturas danificadas. Quase 35 mil pessoas foram instruídas a abandonar suas residências nas últimas semanas.

O norte do estado é onde a situação é mais preocupante. A prefeitura de South Lake Tahoe, uma área bastante turística e que imaginava reverter os prejuízos financeiros decorrentes da pandemia em 2020, declarou estado de emergência. Os moradores convivem diariamente com uma péssima qualidade do ar. O céu está tomado por fumaça e partículas de fuligem vindas dos incêndios.

“O norte da Califórnia provavelmente passará por uma longa temporada de incêndios. Sob essas condições de seca, o fogo queima rapidamente com extrema severidade e viaja até 13 quilômetros em um único dia. Os agravantes são muito piores do que nos anos anteriores. O vento está causando uma propagação das chamas muito maior. Os bombeiros estão enfrentando condições nunca vistas antes, como aumento das taxas de propagação, manchas e queimadas noturnas ativas”, declarou o CAL FIRE.

Incêndios começaram em meados de julho e se alastram rapidamente

Há dois dias, o presidente americano, Joe Biden, anunciou a criação de um fundo de emergência federal para auxiliar os “esforços de recuperação estaduais, tribais e locais em áreas afetadas pelos incêndios florestais”. Os recursos são destinados a subsídios para habitação temporária e reparos domésticos, empréstimos de baixo custo para cobrir perdas de propriedades não seguradas e outros programas para ajudar indivíduos e proprietários de negócios a se recuperarem dos efeitos do desastre.

Análise da Agência Nacional de Oceano e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) apontou que julho foi o mês mais quente do planeta dos últimos 142 anos. No Hemisfério Norte, a temperatura terrestre no mês passado foi 1,54oC acima da média para o período.

Mapa mostra a localização dos atuais incêndios na Califórnia

Impactos da crise climática

Incêndios florestais na Califórnia não são novidade. Sempre aconteceram porque o clima e a geografia da região são propícios a eles. Todavia, nas últimas décadas, a chamada “estação dos incêndios” está mais intensa e longa. Ela tem durado, em média, 105 dias mais do que nos anos 70.

14 mil bombeiros trabalham para controlar 17 diferentes incêndios na Califórnia

Um estudo com dados do Federal Emergency Management Agency (FEMA), agência federal que administra desastres naturais nos Estados Unidos, revela que a extensão dos incêndios mais que triplicou entre 1970 e 2010.

E as previsões de especialistas revelam que, até 2050, a duração da estação dos incêndios deve ganhar 24 dias a mais.

Cientistas do clima não têm medo em afirmar que a tragédia que só se agrava na Califórnia, ano a ano, é mais um dos efeitos do aquecimento global, que torna os extremos climáticos (secas, incêndios, furacões e tempestades) mais fortes e frequentes.

Gavin Newson, governador da Califórnia em visita a Greenville, cidade arrasada pelo Dixie Fire: atrás dele, o que sobrou da sede do correio local

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Fotos: CAL Fire Official/Fotos Públicas e reprodução Facebook Gavin Newsom

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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