13 museus transmitem vídeo de Arthur Jafa sobre a violência contra os negros nos Estados Unidos, online, por 48 horas

O icônico vídeo Love is the Message, The Message is Death (O amor é a mensagem, a mensagem é a morte, em tradução livre), do diretor de fotografia e artista visual Arthur Jafa, lançada em 2016, é muito conhecido e respeitado pelo mundo. Com o movimento antirracismo que emergiu do assassinato de George Floyd por um policial de Mineápolis, no final de maio, ganhou ainda mais notoriedade.

De hoje, 26/6, a domingo (28), o vídeo de apenas 7 minutos está sendo exibido, pela primeira vez, fora do ambiente de galerias e museus, por 48 horas ininterruptas, nos sites de 13 museus dos Estados Unidos e da Europa.

São eles: Hirshhorn Museum e do Smithsonian American Art Museum, com sede em Washington, Dallas Museum of Art, o Glenstone Museum, em Maryland, High Museum of Art de Atlanta, Los Angeles Museum of Contemporary Art e o Studio Museum do Harlem, em Nova Iorque, Tate Gallery, em Londres, Pinault Collection, em Paris, Julia Stoschek Collection, em Berlim, Luma Arles, em Zurique, Palazzo Grassi, em Veneza, e Stedelijk Museum, em Amsterdam.

Os 13 espaços têm uma cópia da obra de Jafa em suas coleções. A iniciativa partiu do Hirshhorn e do Smithsonian. Melissa Chiu, diretora do Hirshhorn, conta que: “Em diálogo com Arthur Jafa e com os museus parceiros, chegamos à conclusão de que Love is the Message, The Message is Death tem algo de profundo a dizer sobre este momento que vivemos”. Em nota, Stephanie Stebich, diretora do Smithsonian, ressaltou: “Acreditamos que é necessário reconhecer a violência e a desigualdade racial enfrentadas pelos negros americanos”.

Para elas, muitas organizações artísticas enfrentam um momento de reflexão para tentar descobrir como redefinir suas missões e atividades após o assassinato de Floyd e dos protestos que se espalharam pelo mundo com o movimento Black Lives Matter.

“Estou muito emocionado com a oportunidade de, finalmente, ter o maior número possível de pessoas assistindo meu filme”, disse Jafa em entrevista ao site da revista ArtNews.

Violência e cultura

O filme do artista não só expõe a violência sofrida pela comunidade negra nos Estados Unidos, como também exalta o poder de sua cultura. Jafa apresenta a construção da identidade dos negros americanos a partir de imagens filmadas por ele ou encontradas na internet, de materiais de arquivo que documentam lutas por direitos civis, operações policiais, mas também de imagens icônicas de cantores da música pop. Elas sao encadeadas como mantras que se sucedem. Ao fundo, a voz e a melodia da música Ultralight Beam de Kanye West.

Assim, o diretor nos conduz pelas imagens perturbadoras do assassinato brutal de um motorista negro por um policial da Carolina do Sul – impossível não lembrar de Floyd. No funeral de nove negros mortos por um supremacista branco dentro de uma igreja, em Charleston, Barack Obama canta Amazing Grace (foto acima). Os dois acontecimentos são de 2015.

Na película também aparecem Martin Luther King acenando na traseira de um carro, Beyoncé cantando no videoclipe 7/11, Michael Jackson em uma limusine, um policial jogando uma adolescente no chão em uma festa na piscina no Texas, além de Malcolm X.

Na primeira vez em que Love is the Message, Message is Death foi exibido na Tate Gallery, o diretor declarou: “Eu quero fazer o cinema negro com o poder, a beleza e a alienação da música negra. Esse é o meu grande objetivo”. No vídeo abaixo, certamente gravado por um espectador, é possível assistir a boa parte do filme de Arthur Jafa, e compreender seu desejo:

Fotos: Nelson Garrido/Divulgação (retrato); Cathy Carver/Cortesia Arthur Jafa e Gavi N Brown’s Enterprise

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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