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126 espécies de aves não são vistas há mais de dez anos e cientistas querem ajuda para encontrá-las

126 espécies de aves não são vistas há mais de dez anos e cientistas querem ajuda para encontrá-las

Apesar de dois tietês-de-coroa (Calyptura cristata) terem sido avistados em Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, em 1996, nenhuma foto, vídeo ou gravação foram feitos dessas pequenas aves brasileiras, endêmicas da Mata Atlântica – a imagem acima é apenas uma pintura, em aquarela.

Única espécie do gênero Calyptura, o tietê-de-coroa foi descrito pelo ornitólogo francês Louis Jean Pierre Vieillot, em 1818. Todavia, tudo o que se sabe sobre esse pássaro vem de cerca de 100 espécimes, existentes em aproximadamente 50 coleções de museus do mundo.

É por isso que ele e outras quatro aves brasileiras fazem parte da Search for the Lost Birds, uma lista internacional que busca espécies que não foram observadas há mais de uma década. O projeto acaba de fazer uma atualização e agora são 126 aquelas procuradas.

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O objetivo do projeto é propagar o máximo de informações sobre essas aves e contar com a ajuda de cientistas, observadores e também, cidadãos, para tentar reencontrá-las. Não fazem parte da lista, entretanto, aquelas já declaradas extintas na natureza pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).

“As aves são o grupo de animais mais bem documentado na Terra, e é uma prova do quanto as pessoas as amam que apenas cerca de 1% delas no mundo tenham escapado a registros durante a última década”, diz Cameron Rutt, autor da mais recente análise sobre as espécies de aves “perdidas”. “Dentro desse 1%, no entanto, existem muitas espécies altamente ameaçadas que não são observadas há décadas. Encontrar essas aves é essencial para evitar que entrem em extinção.”

Muitas das espécies de aves que aparecem na Search for the Lost Birds vivem nos trópicos, especialmente em pequenas ilhas ou em áreas montanhosas. A Oceania reúne o maior número de pássaros da lista, 56 espécies, seguida pela África (31), Ásia (27), América do Sul (19), América do Norte (13) e Europa (1).

Dentre as demais aves brasileiras “perdidas”, além do tietê-de-coroa, estão o caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum), o pararu-espelho (Paraclaravis geoffroyi), a choquinha-fluminense (Myrmotherula fluminensis) e o Tityra leucura, uma espécie avistada em Porto Velho, que nem nome popular possui. Há ainda a arara-azul-pequena (Anodorhynchus glaucus), que costumava ser avistada nas bacias dos rios Paraná, Uruguai e Paraguai, no noroeste da Argentina, sul do Paraguai, leste da Bolívia, nordeste do Uruguai e na região sul do Brasil.

Desde o lançamento do projeto Search for the Lost Birds, em 2021, que conta com a participação da Re:wild, American Bird Conservancy e BirdLife International, várias espécies já foram reencontradas (veja a lista completa no Leia também, mais abaixo).

“Documentar a sobrevivência de aves perdidas é extremamente importante para apoiar as próximas ações para conservar essas espécies”, ressalta Daniel Lebbin, vice-presidente de espécies ameaçadas da American Bird Conservancy. “Precisamos ter certeza que se essas aves sobrevivem e onde conservar seu habitat.”

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Foto de abertura: Luiz Carlos Rocha from Brasil, CC BY-SA 2.0 via Wikimedia Commons

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Daniel Bonfante
Daniel Bonfante
24 dias atrás

A pararu-espelho – Paraclaravis geoffroyi vimos aqui em Novo Hamburgo – RS no dia 15 de junho de 2024… Ela é do tamanho de uma pomba grande que tem em praças?

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