100 dos mais renomados fotógrafos de natureza do mundo doam fotos para arrecadar fundos para projetos de conservação

100 dos mais renomados fotógrafos de natureza do mundo doam fotos para arrecadar fundos para projetos de conservação

Há algumas imagens que dispensam legendas. São tão fortes e impactantes que trazem com elas toda a mensagem que o fotógrafo pretendia transmitir. É o caso, por exemplo, do registro acima, que tornou-se famoso no mundo inteiro. A premiada fotógrafa Ami Vitale captou os momentos finais da vida de Sudan, o o último macho de rinoceronte branco do norte do planeta, que morreu em 2018, ao lado de um de seus cuidadores, Joseph Wachira, no Quênia. Aos 45 anos, ele já estava muito doente.

“É uma história muito importante para mim porque me fez perceber que assistir a extinção desses animais é na verdade como assistir a nossa própria morte em câmera lenta, sabendo que isso afetará a humanidade”, revelou Ami em entrevista à CNN. “Está tão profundamente entrelaçado. Foi isso que me levou a esse caminho e agora eu realmente tentando encontrar essas histórias que nos mostram um caminho a seguir, onde as pessoas estão aprendendo a coexistir e proteger a vida selvagem e os habitats que todos nós compartilhamos”.

Ami é a co-fundadora da organização sem fins-lucrativos Vital Impacts, que fornece assistência financeira a projetos de proteção e preservação de comunidades locais e da vida selvagem. Para conseguir esses recursos, a ONG vende obras de fotógrafos famosos e destina o dinheiro para os programas apoiados. É o que está sendo feito no momento, até o final do ano, com as imagens doadas por 100 de alguns dos mais respeitados profissionais do mundo, entre eles, Paul Nicklen, Jimmy Chin, Chris Burkard, Nick Brandt, Beth Moon, Daniel Beltrá, Stephen Wilkes e a própria Ami Vitale.

Os preços das fotos variam conforme o tamanho, mas algumas delas, em edição limitada, chegam a custar até US$ 30 mil dólares, ou seja, mais de R$ 150 mil reais. “Adeus, Sudan”, que abre esta reportagem, está sendo vendida por US$ 6 mil, aproximadamente R$ 30 mil. Parece caro? Vale pensar que são obras de arte e esse valor está sendo destinado para o bem, por causas importantíssimas como a conservação de espécies ameaçadas de extinção.

Uma das fotos que também foi doada para a Vital Impacts foi a de Jane Goodall, feita na década de 60, na Tanzânia, e que mostra ela no alto de uma montanha, observado os chimpanzés, com a ajuda de um telescópio. Uma curiosidade é que a imagem foi feita pela própria primatóloga, que deixou a câmera presa no galho de uma árvore atrás dela.

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A foto que Jane Goodall fez dela mesma no Parque Nacional de Gombe, na Tanzânia

60% do dinheiro arrecadado com a venda das fotos será destinado ao trabalho de quatro organizações: Big Life Foundation, Great Plains Foundation’s Project Ranger, SeaLegacy e o Instituto Roots & Shoots, criado por Jane Goodall, para dar treinamento e empoderar jovens líderes na África. Os demais 40% serão usados pelos próprios fotógrafos em seus projetos de registro da vida selvagem.

“O planeta é nosso bote salva-vidas compartilhado e fizemos alguns buracos nele, mas não é tarde demais”, acredita Amil. “Todos nós podemos fazer pequenos atos que podem ter impactos profundos. É por isso que chamei de ‘Impactos Vitais’, porque acho que muitas vezes estamos todos tão desconectados e não percebemos como estamos interconectados. Tudo o que fazemos causa um impacto outro e molda este mundo”.

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Imagem da fotógrafa Hannah Le Leu: filhote de tartaruga marinha verde emergindo para respirar
perto da Ilha Heron, na Austrália

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Fotos: divulgação Vital Impacts

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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