1/3 das emissões de combustíveis fósseis do planeta foram feitas por 20 empresas. Uma delas é a Petrobras

1/3 das emissões de combustíveis fósseis do planeta foram feitas por 20 empresas. Uma delas é a Petrobras

Vinte companhias contribuíram coletivamente com a emissão de 480 bilhões de toneladas de dióxido de carbono e metano* na atmosfera terrestre nas últimas cinco décadas. Pela combustão de seus produtos – petróleo, gás e carvão -, essas empresas liberaram o equivalente a 35% de todas as emissões de combustíveis fósseis e cimento no mundo.

Os dados acima fazem parte do levantamento elaborado pelo Climate Accountability Institute. Foram analisadas as emissões do setor desde 1965, década em que já se sabe que os líderes da indústria e políticos tomaram conhecimento dos impactos dos combustíveis fósseis sobre o clima e o meio ambiente.

“Acreditamos  que essas empresas produziram e venderam combustíveis fósseis para bilhões de consumidores tendo consciência de que isso iria piorar ainda mais a crise climática”, afirmam os pesquisadores.

E quem são essas companhias?

20 maiores poluidores globais

  1. Saudi Aramco (Arábia Saudita)
  2. Chevron (Estados Unidos)
  3. Gazprom (Rússia)
  4. ExxonMobil (Estados Unidos)
  5. National Iranian Oil Co (Irã)
  6. BP (Reino Unido)
  7. Royal Dutch Shell (Holanda)
  8. Coal India (Índia)
  9. Pemex (México)
  10. Petróleos de Venezuela (Venezuela)
  11. PetroChina (China)
  12. Peabody Energy (Estados Unidos)
  13. ConocoPhillips (Estados Unidos)
  14. Abu Dhabi National Oil Co (Emirados Árabes Unidos)
  15. Kuwait Petroleum Corp (Kuwait)
  16. Iraq National Oil Co (Iraque)
  17. Total SA (França)
  18. Sonatrach (Argélia)
  19. BHP Billiton (Austrália)
  20.  Petrobras (Brasil)

O ranking foi organizado a partir do volume das emissões de cada uma das companhias entre 1965 e 2017. Neste período, a Saudi Aranco, por exemplo, concentrou 4,38% do total analisado. Juntas as americanas Chevron e ExxonMobil e a holandesa Shell representam mais de 10%. A brasileira Petrobras aparece em último lugar, com 0,64%.

“Cabe às empresas que valorizam sua licença social operar para respeitar a ciência climática, gerenciar riscos corporativos de acordo, comprometer-se a reduzir a produção futura de combustíveis de carbono e suas emissões em alinhamento com o caminho do Acordo de Paris e apoiar a descarbonização da economia global”, diz Richard Reede, diretor do Climate Accountability Institute.

Segundo reportagem publicada ontem (10/10), pelo jornal britânico The Guardian, 50 das maiores petrolíferas do mundo planejam abastecer o mercado global com 7 milhões de barris de petróleo, por dia, na próxima década. Ainda de acordo com a matéria, Shell e ExxonMobill devem aumentar sua produção em 33% até 2030.

O Conexão Planeta entrou em contato com a Petrobras para ter uma posição da companhia sobre a denúncia e saber o que ela tem feito para mitigar seu impacto ambiental e reduzir suas emissões de carbono. Segue a declaração recebida:

A Petrobras acompanha a evolução da ciência do clima e seus desdobramentos sobre os sistemas energéticos, sociais e econômicos há mais de 15 anos. A companhia monitora as oportunidades que as novas regulações e as inovações tecnológicas ensejam em termos de novos produtos e modelos de negócios.

Em suas operações, a Petrobras tem buscado aplicar tecnologias que têm como consequência direta a redução da intensidade de carbono, com resultados significativos já alcançados: desde 2008, já foram reinjetadas 9,8 milhões de toneladas de CO2 dos campos de pré-sal na Bacia de Santos. Até 2025, a companhia projeta reinjetar cerca de 40 milhões de toneladas de CO2. Entre 2009 e 2018, foi evitada a emissão de mais de 120 milhões de toneladas de CO2, o que equivale a dois anos de emissões totais da Petrobras.

Atualmente, a Petrobras apresenta, dentre as grandes produtoras de óleo e gás natural, o segundo melhor desempenho em emissões relativas (CO2/barril) nas atividades de exploração e produção.

A Petrobras assumiu o compromisso de crescimento zero das emissões operacionais no horizonte até 2025 (ano base 2015), mesmo com o aumento da produção, firmando metas de redução de intensidade de emissões de 32% na exploração e produção de petróleo e 16% no refino.

Adicionalmente, a Petrobras investirá, até 2023, US$ 350 milhões em linhas de pesquisa e desenvolvimento nas áreas de CCUS (Carbon Capture Utilization and Storage), biocombustíveis avançados, eólica offshore e energia solar“.

*Dióxido de carbono (CO2) e metano são apontados por cientistas como sendo os principais gases responsáveis pelo aquecimento global

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Foto: domínio público/pixabay

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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