Zoológico do Rio de Janeiro vira Bioparque – também dedicado à pesquisa e educação ambiental – e será inaugurado em julho

Desde 2016, o Zoológico do Rio de JaneiroRioZoo – está sob a administração de uma empresa privada: o Grupo Cataratas. Em 2019, ele foi fechado para a visitação pública para que a reforma fosse concluída e o novo projeto seja inaugurado, de acordo com a última previsão, em julho.

Até agora, foram investidos R$ 80 milhões no projeto que alterou seu nome: ele deixa de ser um simples zoológico para se tornar Bioparque, ou seja, um local destinado não só ao bem-estar dos animais, mas também à pesquisa sobre espécies, à conservação e à educação ambiental

Assim, o antigo zoológico ganhou um centro de pesquisas em vida animal e projetos de conservação que poderão cuidar e devolver algumas espécies para seus locais de origem. O projeto contemplará 47 espécies ameaçadas de extinção e deve incluir acolher indivíduos como onça pintada, anta e lobo guará.

“Cem por cento dos animais que estão no parque vão participar de algum programa de conservação. Sempre associados â educação, pesquisa e conservação da natureza. Uma proposta nova que dá de fato esse caráter de bioparque para o novo zoológico do Rio”, explicou o diretor do Grupo Cataratas, Fernando Henrique de Souza, ao jornalista André Trigueiro. 

Para abrigar a parte de pesquisa e conservação do novo projeto, foi destinada metade da área do zoológico, que não receberá visitantes, apenas pesquisadores e estudantes autorizados por estes. Nela, exames regulares das espécies ameaçadas de extinção se tornarão rotina, para que elas reproduzam em cativeiro, garantindo sua continuidade, sem risco, e sua introdução em outros locais onde elas são endêmicas.

O guará é uma dessas espécies. A ave, que é comum em áreas de mangue, está extinta há mais de 60 anos no estado. Os pesquisadores do bioparque querem reintroduzi-la na Baia de Guanabara no final deste ano. Lá, o Guará não é observado há mais de cem anos.

Na área de visitação, o público certamente ficará encantado com um detalhe: não existem mais jaulas e grades, o que amplia o espaço de circulação dos animais e lhes oferece mais tranquilidade e conforto. De acordo com a divulgação do empreendimento, o viveiro dos elefantes, por exemplo, aumentou dez vezes em relação ao tamanho original. E eles ainda ganharam uma piscina para se esbaldarem. 

O conceito de bioparque e concessões

Sempre que ouço falar em concessão de alguma área natural ou que abriga animais, como o zoológico do Rio, me arrepio. A princípio, não curto a ideia de se entregar um local gerido pelo poder público, de forma independente, a uma empresa ou grupo que, certamente, vai imprimir um olhar higiênico, organizado e comercial ao projeto.

O ministro Ricardo Salles é favorável ao formado de concessão e quer entregar todos os parques nacionais e unidades de conservação do país para a iniciativa privada, o que me deixa ainda mais com o pé atrás, já que ele tem uma visão exclusivamente financeira.

Mas entendo que, no caso do zoológico carioca, essa medida era necessária. Há muito tempo, a prefeitura já não vinha dando conta de administra-lo, o que impactava na qualidade de vida dos animais. E o conceito de bioparque parece, a principio, uma forma bastante interessante de cuidar, manter e proteger os animais nesse local.

Esse conceito, na verdade, faz parte do escopo do Grupo Cataratas, desde 1999, quando ganhou a concessão do Parque Nacional do Iguaçu, pelo qual sempre é elogiado, inclusive por pesquisadores.

Hoje, a empresa gerencia seis parques naturais e atrações turísticas, sempre focando “em conservação do meio ambiente e educação ambiental pelo viés do turismo responsável“, como está escrito em seu site.

Em 2011, se aliou à EcoNoronha para gerir o Parque Nacional de Fernando de Noronha. Em 2012, chegou ao Rio de Janeiro para administrar a Paineiras Corcovado e a formação do aquário AquaRio.

Os mais recentes projetos que conquistou foram o Marco das Três Fronteiras, em Foz do Iguaçu, e o RioZoo, no Rio de Janeiro.

Tomara que tudo que os administradores prometem e se gabam de contar se cumpra e que o novo bioparque carioca ajude a manter a fauna tão castigada em nosso país.

Fotos: Congerdesign/Pixabay (arara vermelha) e Divulgação

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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