Zâmbia cancela plano de construção de mina gigante de cobre, a céu aberto, em parque nacional

A pressão e forte reação de comunidades e de especialistas internacionais à previa do projeto da empresa australiana Mwembeshi Resource Company – questionaram viabilidade, qualidade técnica e a falta de transparência nas informações -, contou muito para a decisão do governo da Zâmbia de cancelar a construção da mina de cobre Kangaluwi, a céu aberto, no Parque Nacional do Baixo Zambeze.

Esse parque fica a 174 quilômetros da capital Lusaka e é um refúgio de vida selvagem bastante ameaçado pela exploração de seus recursos naturais. Assim, é uma das áreas protegidas mais importantes para o país economicamente. Acontece lá mais ou menos o que acontece na Amazônia: grandes companhias de mineração as cobiçam, sem limites, e nem sempre atendem os requisitos da legislação ambiental local.

A mineração artesanal e de pequena escala não é novidade em áreas protegidas da Zâmbia, mas este poderia ser o primeiro projeto de extração em larga escala, especificamente em se tratando de uma mina de cobre a céu aberto, realizada por uma empresa estrangeira e ainda dentro de um parque nacional. São muitas variáveis a considerar.

Mas esta notícia, na verdade, fala muito mais sobre a suspensão do projeto do que sobre seu cancelamento definitivo já que, ao mesmo tempo, o ministro do Turismo e das Artes daquele pais, Ronald Chitotela, anunciou que o projeto não será colocado em prática porque relatório enviado pelo regulador ambiental expirou. No entanto, se a empresa quiser apresentar o projeto novamente, pode fazê-lo. Ou seja, as portas para a Mwembeshi, ainda estão abertas.

“Se essa empresa de mineração quiser prosseguir com seu projeto, podemos aconselhá-los a enviar um novo relatório que deverá ser examinado e aprovado pelo governo”, explicou em entrevista coletiva à imprensa.

É a mesma situação da empresa francesa Total que quer explorar petróleo em área de corais na Amazônia, mas foi impedida por irregularidades na documentação. Isso nos tempos em que o Ibama ainda tinha fiscalização, peritos e ainda funcionava, importante observar.

Ambientalistas e a sociedade são imprescindíveis na luta para impedir que a devastação ambiental, em qualquer lugar do planeta, prossiga. Como se vê, as grandes companhias de exploração de minérios, petróleo e outros recursos dados pelo planeta, não medem esforços em ações de devastação, não importa o continente.

Foto: Henning Borgersen/Unsplash

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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