Yusra não ganhou o ouro, mas conquistou o coração dos brasileiros

yusra, atleta síria da equipe de refugiados

Ela sabia que dificilmente conseguiria a classificação para as provas semifinais da natação feminina. E mais difícil ainda seria chegar ao pódio. Mas para Yusra Mardini isso pouco importava. Para ela, bastava ter somente a oportunidade de estar no Rio de Janeiro, participando dos Jogos Olímpicos 2016, já era uma enorme conquista.

Contamos em junho deste ano, aqui no Conexão Planeta, a história da jovem síria de 18 anos, que fugiu da guerra em seu país para recomeçar a vida na Europa. Yusra estava em um barco superlotado, que quase afundou. Graças a ela e outros nadadores, que durante mais de três horas puxaram o bote, cerca de 20 crianças e adultos se salvaram.

Yusra fazia parte do time de natação da Síria. Treinava diariamente em Damasco, até que os conflitos começaram. Hoje ela vive em Berlim. É um dos milhares de refugiados que encontraram asilo em países como a Alemanha, que abriu suas fronteiras para aqueles que fogem do horror da guerra.

No último sábado (06/08), a nadadora síria competiu pelo Time Olímpico de Refugiados no Rio. Ficou em 41º lugar. Mas na hora que sua imagem apareceu no telão do Parque Aquático Olímpico, houve comoção nas arquibancadas. Como não se emocionar com a trajetória de Yusra?

“Meu objetivo principal são os Jogos de Tóquio, em 2020. Quero treinar bastante para chegar com mais chances”, revelou a atleta. “Agradeço muito o apoio da torcida, valeu muito a pena estar aqui. Quarta-feira espero que seja melhor”, prometeu ela para a próxima prova.

Outros nove atletas compõem a primeira Equipe de Refugiados da história dos Jogos Olímpicos no Brasil. Durante a cerimônia de abertura, eles entraram no Estádio do Maracanã carregando a bandeira Olímpica. Foram muito aplaudidos e emocionaram o público com sua garra e determinação.

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A inclusão da equipe de refugiados é simbólica. Mas ela é extremamente importante para lembrar a todos, durante a congregação mundial do esporte, que há uma crise humanitária extremamente grave acontecendo no mundo. Somente no ano passado, 63,5 milhões de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas.

E a cada dia, estes números crescem ainda mais. Com eles, juntam-se outras tristes estatísticas, como o aumento de números de mortos em naufrágios no Mediterrâneo ou de crianças e adolescentes, que enfrentam sozinhos, viagens e travessias arriscadas para sair das zonas de conflitos.

Yusra conseguiu chegar à Europa, mas muitos, infelizmente, não têm a mesma sorte. Mas neste momento, vamos celebrar sua linda vitória!


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Fotos: divulgação ACNUR (abre) e Roberto Castro/Brasil 2016/fotos públicas (cerimônia)

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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