Violência e corrupção violam os direitos de milhões de pessoas no mundo. Brasileiros também! 

Violência e corrupção violam os direitos de milhões de pessoas no mundo, entre eles, os dos brasileiros  

Tempos perigosos e de trevas. Foi assim que o Alto Comissário das Nações Unidas, Zeid Ra’ad Al Hussein, definiu o momento atual da humanidade, em seu discurso de abertura da mais recente sessão do Conselho de Direitos Humanos da entidade.

Al Hussein fez um detalhado panorama da situação no mundo. É assustador. Violência, guerras civis e corrupção estão aniquilando com os direitos de milhões de cidadãos ao redor do planeta. Governos têm se mostrado fracos e coniventes diante da opressão a imigrantes e refugiados. Em muitas sociedades, atos de intolerância estão aflorando novamente, como aqueles vistos, durante os horrores da Segunda Guerra Mundial, quando milhões de judeus foram assassinados.

O caso de Miamar foi um dos primeiros a ser citado. Um massacre étnico contra a minoria religiosa Rohingya está acontecendo na região, enquanto o mundo inteiro assiste acomodado. De acordo com dados da Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), mais de 270 mil pessoas fugiram do país, em direção à Bangladesh, tentando salvar suas vidas e de familiares. Outros 40 mil buscaram refúgio na Índia (veja o comovente vídeo ao final deste post).

Mas tanto na Índia, como no Paquistão, minorias sociais e religiosas também têm sofrido com a intolerância. A violência contra as mulheres continua presente nestes lugares. Casamentos com meninas, estupros e ataques com ácido são práticas inaceitáveis, mas infelizmente, ainda comuns nestas nações.

Na China, a morte do ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Liu Xiaobo, um dissidente do sistema, chocou o mundo. Doente e em cárcere privado, ele foi calado pelo governo, assim como sua esposa, aprisionada em local desconhecido por amigos e familiares.

No Vietnã, uma nova lei aumentou para 18 o número de crimes que serão punidos com pena de morte, entre eles, aqueles ligados com drogas. Cidadãos que criticam o governo ou se mobilizam contra o sistema são presos sistematicamente e podem cumprir longas penas.

No Yêmen, um conflito civil já matou mais de 5 mil inocentes e existem outros 8 mil feridos. Há relatos de tortura e ataques a centros médicos, justamente quando uma grave epidemia de cólera atinge o país. Dezenas de crianças morrem diariamente por causa da falta de atendimento.

Para Al Hussein, o que acontece na Síria define um novo significado para o termo horror. Ataques químicos perpetrados pelo ditador Bashar al-Assad matam civis, sem punição alguma de entidades internacionais. Milhares de pessoas perderam a liberdade de ir e vir: vivem escondidas em abrigos, ora do lado das forças militares do governo, ora dos combatentes.

O alto comissário da ONU fala ainda sobre a guerra no Iraque contra os terroristas do Estado Islâmico, os territórios ocupados da Palestina, o governo inconstitucional do Egito, a ditadura da Venezuela, que prende inimigos políticos e leva a população à fome e à busca de asilo político no norte do Brasil.

Estados Unidos, Coreia do Norte, Turquia, El Salvador, Guatemala, Sudão do Sul, Mali, Congo… Todos entraram no discurso.

Mas é quando fala em corrupção que Al Hussein menciona o Brasil. Assolada por denúncias, uma organização criminosa encabeçada pelo governo federal – presidente, ministros, assessores – , aliada à empresários inescrupulosos, cobra propinas e vende cargos políticos em prol de interesse próprio. Enquanto isso, brasileiros ficam horas na fila do Sistema Público de Saúde, moradores do Rio de Janeiro morrem com balas perdidas, nordestinos não têm comida por causa da seca que castiga a região há anos.

O comissário da ONU criticou a atitude de diplomatas e até, representantes em altos cargos da organização que têm negado ou fechado os olhos perante todas estas violações. Mais que isso, Al Hussein sugere que Estados que não respeitem os direitos humanos de suas populações sejam expulsos do conselho da entidade.

Quem sobrará? Pergunto eu…

“Nos últimos três anos, o mundo se tornou um lugar mais escuro e perigoso. Através somente da proteção aos direitos humanos é que conseguiremos evitar uma guerra global e a miséria profunda da humanidade”, declarou Zeid Ra’ad Al Hussein.

 

Foto: Maria Hsu/Creative Commons/Flickr

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

2 comentários em “Violência e corrupção violam os direitos de milhões de pessoas no mundo. Brasileiros também! 

  • 15 de setembro de 2017 em 11:09 AM
    Permalink

    QUE BELAS REPORTAGENS. PARABENIZO A VCS, PELO BELÍSSIMO TRABALHO ELES SÃO
    DIMAIS. NOS ALEGRAM POR UM LADO.. E ENTRISTECE DO OUTRO.
    DIANTE DA FALTA RESPEITO DOS POLÍTICOS BRASILEIROS, SÓ PENSAM NELES O RESTO
    DA SOCIEDADE QUE SE DANE.
    A CORRUPÇÃO É O MAIOR CRIME CONTRA A SOCIEDADE. ELA MATA TODOS OS SONHO
    DE UMA NAÇÃO INTEIRA. O NOSSO CASO… TEMOS O MELHOR PAÍS DO MUNDO, ONDE
    DA TUDO E PRODUZ TUDO… SÓ NOS FALTA ADMINISTRAÇÃO.
    TEMOS QUE TRABALHAR DURAMENTE NA EDUCAÇÃO DA JUVENTUDE, PARA ALCAMÇARMOS
    ESTE OBJETIVO. SÓ ASSIM PODEMOS CONSTRUIR UM BRASIL, COM IGUALDADE PARA TODOS.

    Resposta
    • 18 de setembro de 2017 em 7:05 AM
      Permalink

      Obrigada pela carinhosa mensagem, Aldomar!
      Grande abraço,
      Suzana, Marina e Mônica

      Resposta

Deixe uma resposta