Vencedores da categoria Meio Ambiente do World Press Photo revelam imagens estarrecedoras

Vencedores da categoria Meio Ambiente do World Press Photo revelam imagens estarrecedoras

Um jovem rinoceronte branco, drogado e com uma venda sobre os olhos, está pronto para voltar à vida selvagem. Ele foi medicado para ficar mais calmo, pois será solto numa reserva de proteção em Okavango, em Botsuana, depois de ter sido retirado da África do Sul para poder escapar de caçadores.

Rinocerontes brancos estão ameaçados de extinção. Suas presas são comercializadas na China e no Vietnã como remédios, por isso, eles são mortos por traficantes.  O quilo do chifre do animal é vendido por até 50 mil dólares. Em 2014, 1.215 rinocerontes foram brutalmente abatidos na África do Sul. Sete anos antes, “apenas” 13 indivíduos foram assassinados.

O relato acima é sobre a foto vencedora na categoria Meio Ambiente – Singles – do World Press Photo 2018. Seu autor foi Neil Aldridge, fotógrafo de natureza e um especialista em conservação e vida marinha.

A competição internacional World Press Photo foi criada, em 1995, por um grupo de fotógrafos holandeses. Atualmente é um dos concursos mais prestigiados do mundo. Além da competição, a iniciativa internacional realiza uma série de outras atividades, como exposições, palestras e publicação de material educativo, para promover o poder do fotojornalismo, ou seja, a contação de histórias através de imagens.

A foto que levou o 2º lugar é de Thomas P. Peschak e mostra um albatroz, ferido gravemente, na Ilha de Marion, na Antártica. A ave foi atacada por uma espécie invasora de ratos, que tem entre suas presas, filhotes e albatrozes jovens. Os ratos foram levados para a ilha por caçadores em meados de 1800. Na década de 90, como os gatos selvagens foram extintos do local, a população de roedores se multiplicou assustadoramente.

Albatroz ferido por ratos invasores

Peschak, que é um colaborador da revista National Geographic, também conquistou o 3º lugar desta categoria do World Press Photo. A imagem chocante é uma comparação entre uma fotografia feita em 1890 e outra, no mesmo local, em 2017. Na primeira vê-se uma colônia gigantesca de pinguins africanos – com mais de 100 mil aves -, na ilha de Halifax, na Namíbia. Na segunda, percebe-se a incrível redução deste número.

A extinção dos pinguins em imagens

No passado, o pinguim africano era a ave mais abundante no sudeste do continente. Hoje é tida como ameaçada de extinção. Estudos revelam que 50% da espécie foi dizimada nos últimos 30 anos. Entre as causas para seu desaparecimento estão o consumo dos ovos da ave pelo ser humano e a sobrepesca, que acabou com alguns dos principais alimentos dos pinguins: as anchovas e as sardinhas.

Já na categoria Meio Ambiente – Histórias, o 1º lugar foi para Kadir van Lohuizen. Ele registrou o esforço de um catador de resíduos no aterro sanitário de Olusosun, em Lagos, na Nigéria. Diariamente, 3 mil toneladas de lixo chegam ali. Aproximadamente 4 mil pessoas trabalham no local, separando lixo com as mãos. E muitas delas vivem no lixão. O ser humano está produzindo resíduos como nunca antes na história. Dados do Banco Mundial apontam que o mundo gera 3,5 milhões de toneladas por dia, dez vezes mais do que há um século.

Catador de lixo na Nigéria

Luca Locatelli conseguiu o 2o lugar nesta mesma categoria com o registro impressionante de uma casa de fazenda rodeada por imensas estufas na Holanda. O país tem investido fortemente na inovação e na agricultura sustentável, sem uso de pesticidas e agrotóxicos.

Inovação para garantir a segurança alimentar do planeta

Com a 3ª colocação ficou o fotógrafo Daniel Beltrá. Sua imagem impactante revela a devastação da Floresta Amazônica, pela agricultura, no estado do Pará, próximo ao rio Tapajós.

Depois de uma importante queda do desmatamento na região, entre 1995 e 2004, em 2016 a derrubada da floresta voltou a atingir índices alarmantes por causa da exploração da madeira, mineração, agropecuária e construção de usinas hidrelétricas. A Amazônia é um dos principais “pulmões” do planeta para a absorção de gás carbônico. Sem as árvores da floresta, aumenta a concentração na atmosfera da Terra deste gás, principal responsável pelo aquecimento global.

“Sobras” da floresta no Pará

 

Fotos: divulgação World Press Photo 2018

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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