Vai um gelinho, aí?

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O outono insiste em não chegar no seu tempo, perpetuando o calor pelo Brasil. E dias quentes pedem brincadeiras refrescantes. São, por isso, uma ótima oportunidade para que as crianças descubram texturas, cores, formas, temperaturas e transformações proporcionadas por essa temporada. Então, antes que o frio venha forte, vamos brincar com gelo?

Mágica, a água toma sempre a forma do que a contém. Assim, podemos aproveitar sua resiliência e dar-lhe qualquer forma ao congelá-la. E não é preciso usar apenas recipientes rígidos, mas também – e principalmente – maleáveis e inusitados como bexigas e luvas descartáveis. Já experimentou? Não é novidade, eu sei, mas nem sempre essa é uma ideia fácil de ser adotada. Ignore as ponderações conservadoras, crie e ofereça essas esculturas geladas para as crianças experimentarem como quiserem, sem censura.

Lembro, há alguns anos, fui professora de um grupo de crianças que adoravam brincar com gelo. Por isso, congelávamos muitas bexigas e levávamos ao parque. Elas ficavam fascinadas e encontravam inúmeras maneiras de partir o gelo e compartilhá-lo com os colegas. Seguravam o gelo, observavam seu derretimento e passavam para outras crianças. Com ar de muita curiosidade observavam as gotas do degelo nos mínimos detalhes. E me encantaram muito ao pegarem Dentes de Leão e os esfregarem suavemente sobre o bloco de gelo, dando início a uma brincadeira que eles chamavam de “carinho gelado”. Consistia em toques muito delicados, no corpo dos colegas, com as pequenas pétalas da flor gelada.

Uma outra brincadeira com gelo que eu adoro é deixar que as crianças preencham – com elementos da natureza – o objeto que será congelado. Pode ser um copo, algumas vasilhas… O que vale, aqui, é usar a criatividade.

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Depois de colocar os elementos escolhidos no recipiente, é só adicionar água e congelar. O momento de desenformar é sempre uma surpresa. Elas logo querem ver as folhas, pedaços de frutas, seus elementos escolhidos, através do gelo. Querem observar o gelo derretendo e revelando esses “objetos”.

Se for o caso, vale fazê-lo derreter rápido para tentar tocar logo no que está ali congelado. E, assim, elas descobrem maneiras de fazer o gelo derreter… ou não. Vão experimentando e muitas chegam à conclusão de que deixar o gelo no sol, assoprá-lo ou esfrega-lo faz com que ele derreta. Outros, ainda, percebem que se cobrirem o gelo com areia – “um gelo à milanesa” – ele permanece congelado por mais tempo.

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Quando propomos brincadeiras com gelo, é interessante que as crianças participem de todo o processo. Elas são sempre curiosas e pesquisam o mundo ao seu redor. Ter contato com a transformação da matéria, além de proporcionar novas experiências, as leva a elaborar hipóteses sobre esse fenômeno. O que é muito enriquecedor.

Fotos: Ana Carol Thomé

Ana Carol Thomé

É pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica. Participa de diversas formações sobre primeira infância, brincar e arte para crianças e coordena o programa Ser Criança é Natural (que dá nome a este blog), do Instituto Romã, que incentiva o contato das crianças com a natureza. Organiza a ação Doe Sentimentos e acredita no poder da infância e que o mundo pode ser melhor.

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