“Usar cocar no carnaval é uma troca, faz parte da cultura humana”, defende Ysani Kalapalo

“Usar cocar no carnaval é uma troca, faz parte da cultura humana”, defende Ysani Kalapalo

“Vamos celebrar, carnaval é época de festa!”. A opinião é da indígena Ysani Kalapalo, da etnia Kalapalo, do Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso. Atualmente a jovem é hoje uma das principais vozes das lideranças indígenas do país.

Ysani resolveu gravar um vídeo no Facebook (assista ao final deste texto) e se pronunciar sobre a polêmica do uso de cocar e fantasia de índio no carnaval. O assunto bombou nas redes sociais nos últimos dias. O movimento “Índio não é fantasia” foi proposto pela ativista Katú Mirim, que acusa os foliões de apropriação cultural e preconceito. As atrizes Paolla Oliveira e Viviane Araújo foram criticadas por desfilarem este ano fantasiadas de indígenas.

Em um vídeo de pouco mais de 1 minuto e que já teve mais de 1,6 milhão de visualizações, Ysani diz que está falando sobre a cultura dela, do povo Kalapalo, e “… pelo que vi e vivi, não tem nada demais usar cocar e adereços indígenas no carnaval. Pelo contrário, valoriza, a gente fica feliz! O que as pessoas vão lembrar quando olhar o cocar? Índio.”

A jovem diz que também usa “roupa de branco” quando está na cidade. “É uma troca que a gente faz, é parte da cultura humana”, afirma.

Ysani teve seu primeiro contato com a cultura dos “brancos” aos 12 anos, quando mudou, junto com a família, para o interior de São Paulo. Ávida por conhecimento, estudou Mídias Digitais e Sociais. Em 2011, ao lado do pai e da ativista Miryám Hess fundou o Movimento Indígenas em Ação (MIA), que organizou passeatas pelo Brasil, alertando e denunciando impactos sociais e ambientais com a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte.

A jovem ativista mostrou em seu vídeo tolerância e bom senso. Há séculos os brasileiros se fantasiam de índio nos carnavais. Usam os adereços para celebrar nossa cultura – sim -, porque os indígenas fazem parte da história do Brasil e de quem nós somos. É uma maneira de reverenciar e homenagear seus costumes, suas tradições e seu modo de vestir!

Caso contrário, os bailes e desfiles de carnaval vão precisar abolir também as fantasias de baiana, árabe, havaiana, cangaceiro, chinês, japonês…


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Foto: reprodução Facebook

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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