Universidades recebem recursos para incentivar economia solidária

A relação entre economia solidária e universidades não é nova no Brasil. Exemplos disso são núcleos espalhados por instituições de ensino pelo país, como o Nesol (Núcleo de Apoio às Atividades de Cultura e Extensão em Economia Solidária) na USP; o NEA (Núcleo de Economia Alternativa) na UFRS; o Nesth (Núcleo de Estudos sobre o Trabalho Humano) na UFMG; o NUTAS (Núcleo de Pesquisa em Trabalho e Ação Social) na PUC-SP; o Soltec (Núcleo de Solidariedade Técnica) na UFRJ; o Nusol (Núcleo de Economia Solidária) na UFJF, dentre muitos outros.

Boa parte desses núcleos, além de realizar pesquisas e diagnósticos, trabalha a extensão por meio de incubadoras de economia solidária, atendendo e ajudando a estruturar empreendimentos econômicos solidários nas mais diversas frentes: gestão econômica, administração, comercialização etc.

Dada a quantidade de instituições de ensino que desenvolvem trabalhos nesta área, é extremamente bem vinda a chamada 27/2017, realizada pelo CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), em parceria com o Ministério do Trabalho, que selecionou universidades em todo o país, federais, estaduais e particulares, para desenvolver projetos nesse sentido. O valor total investido, segundo informações do Ministério, é de R$ 6,5 milhões.

Universidades de 20 estados brasileiros receberão recursos para o desenvolvimento de projetos: Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina e São Paulo. De quase 200 propostas recebidas, foram selecionadas 67.

O objetivo do chamamento é apoiar projetos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e extensão de incubadoras tecnológicas de Empreendimentos Econômicos Solidários que visem contribuir para o desenvolvimento científico e tecnológico e a inovação do país nas áreas de economia solidária e incubação tecnológica.

Os projetos foram inscritos nas seguintes temáticas:
– Interação horizontal entre empreendimentos e equipes de incubação, produção e troca de conhecimento;
– Princípios metodológicos centrais inspirados principalmente na proposta de educação popular, autogestão, interdisciplinaridade e aprendizado mútuo;
– Troca de saberes acadêmicos e saberes populares;
– Formação de redes de economia solidária;
– Promoção de políticas públicas de economia solidária e do desenvolvimento territorial sustentável; e
– Superação da extrema pobreza.

A contribuição das universidades ao desenvolvimento da economia solidária, especialmente por meio das Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares (ITCP), como extensão universitária, tem sido importante no sentido de dar suporte à formação e ao desenvolvimento de cooperativas populares, criadas em grande parte por grupos em situação vulnerável e de precarização do trabalho.

Esse é um reforço muito oportuno nos tempos que vivemos, de precarização do trabalho e crise.

Confira a lista de universidades contempladas no site do CNPQ.

Foto: Loic Furhoff/Unsplash

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colaborou com a revista Página 22, da FGV-SP, e com a Unisol Brasil. Hoje é conectora – trabalha linkando projetos e pessoas de todas as áreas na comunicação para um mundo melhor

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