Uma tonelada de óleo é retirada do Delta do Parnaíba, no Piauí, e rios são descontaminados em Pernambuco

Uma tonelada de resíduos de óleo é retirada do Delta do Parnaíba, no Piauí, e rios são descontaminados em Pernambuco

*Atualizado em 22/11/19

Desde o último final de semana, equipes da Marinha, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de voluntários, estão mobilizados para a limpeza de resíduos de petróleo que chegaram à região do Delta do Parnaíba, no Piauí, na divisa com o Maranhão. O óleo é o mesmo que vem contaminando todo o litoral nordestino, desde o início de setembro, e mais recentemente, chegou às praias do Espírito Santo.

O rio Parnaíba percorre 1.450 km até desembocar no Oceano Atlântico. Nele há 73 ilhas fluviais, dunas e mangues. Na região está localizada a Área de Proteção Ambiental (APA) Delta do Parnaíba, criada em 1996, com mais de 300 mil hectares de extensão e habitat de aves como guarás e garças e outras espécies de animais como macacos pregos, guaribas, jacarés e capivaras.

No extremo leste do território da APA, onde o Piauí se limita com o Ceará, o estuário dos rios Timonha e Ubatuba é um importante berçário para a reprodução de peixes-bois.

Segundo nota divulgada ontem (18/11) pela Marinha, desde quando os primeiros sinais de óleo foram avistados no Delta, já foi recolhida uma tonelada de resíduos.

Apesar de um navio-patrulha estar na região, a limpeza não é fácil porque alguns locais têm acesso mais difícil, por isso estão sendo utilizadas pequenas embarcações.

Uma tonelada de óleo é retirada do Delta do Parnaíba, no Piauí, e rios são descontaminados em Pernambuco

A região do Delta do Parnaíba é belíssima e rica em vida selvagem

Números da tragédia

De acordo com o mais recente levantamento divulgado pelo Ibama, o desastre ambiental já afetou 720 localidades, em 166 municípios dos nove estados do Nordeste e também, do Espírito Santo. Até este momento, são 4.500 mil toneladas de petróleo coletadas.

O número de animais mortos chegou a 100 e outros 41 foram resgatados sujos com óleo e encaminhados para centros de tratamento especializados. A maioria das vítimas são tartarugas marinhas, como a da foto abaixo, na imagem divulgada pelo Instituto Tartarugas do Delta.

No Maranhão, nesta terça, o óleo voltou a ser observado em diversos pontos, entre eles, a Ilha dos Podros, Ilha da Melancieira, Manguezais da Ilha do Caju, Praia dos Lençóis Maranhenses e Santo Amaro do Maranhão.

No Piauí, as praias de Atalaia e Peito de Moça, em Luís Correia, e Pedra do Sal, em Parnaíba, estão impróprias para o banho.

Além do trabalho de monitoramento e limpeza realizados na costa, as equipes dos órgãos de proteção ambiental também fazem a retirada de óleo em rios.

No começo da semana, mergulhadores estiveram nos rios de Ipojuca, Persinunga e Massangana, em Pernambuco.

*Com informações do ICMBio

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*Texto alterado para atualizar número de localidades atingidas pelo óleo

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Fotos: Chico Rasta/MTur/Flickr (abertura e Delta do Parnaíba) e divulgação Marinha (mergulhadores)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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