Uma mensagem para o maior desmatador da Amazônia

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E aí, Jotinha, como vão seus dias? Espero que você, o grileiro dos Jardins, o maior desmatador da história recente da Amazônia, consiga aproveitar a oportunidade de estar preso para ter boas reflexões sobre os crimes que cometeu contra a floresta, o planeta Terra e a humanidade. Pois é, é dessa proporção a gravidade de seus atos.

Provavelmente por causa do seu pai, um pecuarista milionário, você cresceu achando normal destruir a Amazônia. Seu caso é uma prova e tanto do quanto pais e mães têm enorme responsabilidade sobre o que ensinam aos filhos.

Se quisermos um futuro com Amazônia e com os benefícios sociais, espirituais, ambientais, corporais, emocionais e mentais que ela isso traz, devemos repensar nossos modos de vida, o que consumimos e que exemplos damos às crianças. Infelizmente, talvez pela “admiração” ou “proteção” em relação ao seu pai, você preferiu acreditar que tudo bem cometer crimes, confiou na certeza da impunidade.

Você, quando pequeno, desfrutou de momentos de paz em ambientes naturais? Ou viveu a vida toda cercado de paredes? Se, na sua infância, você teve qualquer experiência de sentir alegria verdadeira em uma praia, montanha, rio, árvore…, ficarei muitíssimo mais impressionada com todas as suas atrocidades contra a natureza.

Como conseguiu dormir um sono tranquilo sabendo que árvores cheias de alma, que demoraram centenas de anos para crescer, que já viram muito mais da vida do que você, tombavam por sua causa? Que macacos, onças, pacas, formigas, beija-flores, bichos-preguiça queimavam e fugiam, em desespero e dor, por sua causa? Que pessoas (igualmente bem infelizes por te apoiarem na destruição da Amazônia!) eram submetidas a situações deprimentes para você enriquecer?

Só que você fazia isso porque ainda existe mercado para compra de carne e demais produtos derivados do gado, porque verificar certificação de madeira ainda não é hábito. Ainda.

E, aqui, minha conversa também é com você, caro leitor, cara leitora. Lhe convido à reflexão. O Jotinha, assim como todos que desmatam e queimam a Amazônia, fazem isso porque têm certeza de duas coisas: existe um mercado de consumo e a impunidade. Se ele virou o desmatador milionário dos Jardins (rico bairro paulistano onde mora) é porque, de alguma maneira, nós também o apoiamos ao comprar os seus “produtos”.

Quando compramos carne e madeira sem exigir certificação, acabamos dando dinheiro a inescrupulosos “Jotinhas”. Então, procuremos compreender as alternativas para o consumo de carne. Pode ser que nos surpreendamos com mais vitalidade em nossos corpos e mentes. Sugiro o mesmo em relação à compra de madeira. O preço pode ser mais barato, mas visto de longe e do alto, os custos ambientais e sociais são enormes.

Imagine que lindo seria se todos nos importássemos com a procedência da carne e da madeira! Teríamos mais florestas, pois os criminosos perderiam sua maior fonte de lucro e, portanto, repensariam a “carreira”. Teríamos mais biodiversidade, cresceria o espaço e a atuação do mercado legal destes “produtos”, teríamos mais ofertas de empregos nessas áreas, contribuiríamos para que árvores e bichos fossem tratados com respeito e dignidade em todo seu ciclo de vida, crianças cresceriam com pais e mães indicando outro caminho, com mais natureza e vida saudável no futuro.

A exigência de “produtos” nascidos da ausência de escravidão, de maus tratos a pessoas e animais, de queimadas e derrubadas ilegais da maior floresta da Terra seria pré-requisito de consumidores cada dia mais conscientes. A sociedade, portanto, seria mais lúcida, atuante e unida. Todos teríamos a ganhar, imensamente.

E pessoas com atitudes lamentáveis como as suas, Jotinha, deixariam de existir porque, além de deixar de lucrar, talvez uma ficha mais poderosa caísse, como cairá – o dia em que você despertar, dentro de si, amor por esta floresta, você vai sofrer e se arrepender nas entranhas.

Por último: como diria o sábio Mujica, ex-presidente do Uruguai, dinheiro, na verdade, é TEMPO DE VIDA. Não podemos dar o nosso tempo de vida a pessoas como Jotinha, para que continuem a arquitetar, financiar e realizar a destruição da NOSSA floresta.

Para finalizar este post, então, convido vocês à leitura e a assistir dois vídeos:

– ler o relatório A Farra do Boi na Amazônia, do Greenpeace, para você saber melhor sobre a produção de gado na Amazônia. É de 2008, mas extremamente atual.

– assistir ao depoimento do Mujica no belíssimo filme Human – realizado pelo documentarista Yann Arthus Bertrand – para você se inspirar e não dedicar seu tempo de vida a quem não merece.

– E ouvir uma última inspiração: um menino com extrema compaixão pelos animais. E que você tenha excelentes reflexões sobre isso tudo. Um abraço cheio de esperança e carinho.

Leia também:
O grileiro dos Jardins (El País)

Foto: Ib Wira Dyatmika/Unsplash

Conectada com a força da floresta – guiada, protegida e inspirada por ela. Jornalista ambiental, educadora e fundadora do Reconexão Amazônia. Há mais de uma década tem se dedicado a proteger a Amazônia, onde morou por cinco anos. Mestre em Ciências Holísticas pela Schumacher College, Inglaterra, é formada em Educação para a Sustentabilidade pelo Gaia Education e Vivências com a Natureza pelo Instituto Romã.

Karina Miotto

Conectada com a força da floresta – guiada, protegida e inspirada por ela. Jornalista ambiental, educadora e fundadora do Reconexão Amazônia. Há mais de uma década tem se dedicado a proteger a Amazônia, onde morou por cinco anos. Mestre em Ciências Holísticas pela Schumacher College, Inglaterra, é formada em Educação para a Sustentabilidade pelo Gaia Education e Vivências com a Natureza pelo Instituto Romã.

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