Uma lixeira para lá de eficiente

Só o mérito de eliminar o uso de sacolas plásticas já seria motivo suficiente para adotar a Bubble 360L nas vias públicas. Mas essa lixeira tem várias outras vantagens para quem administra a limpeza urbana, tais como alta capacidade de armazenagem de lixo; alta resistência ao clima e ao vandalismo; revestimento com tinta impermeável a grafites e facilidade para esvaziar com um aspirador, sem cantos para acumular sujeira. O modelo foi desenvolvido pela empresa holandesa Lune, do grupo industrial Brink, atendendo a um pedido da prefeitura de Berlim, capital da Alemanha.

Localizada em Hoogeveen, cerca de 150 km a noroeste de Amsterdam, Lune é conhecida por sua extensa linha de lixeiras de coleta seletiva para escritórios, com mais de 30 opções, algumas das quais são customizadas. A maioria dos modelos é para ambientes internos, mas a empresa também fabrica algumas lixeiras para parques e peças decorativas para o exterior de prédios, como floreiras em aço.

Ao receber o pedido de Berlim, a equipe de designers trabalhou em uma alternativa com todos os requisitos de funcionalidade e que ainda fosse discreta e bonita para figurar ao lado dos monumentos e atrações turísticas, sem destoar da paisagem nem estragar as fotos. O resultado foi a lixeira de forma esférica, fabricada em aço escovado, com várias camadas de tintas especiais, e capacidade para 360 litros ou até 150 kg.

Cada esfera substitui cinco das lixeiras comuns, de 50 a 70 litros, antes usadas nos pontos turísticos de Berlim. Ela é fácil de fixar nos diversos tipos de pavimentos urbanos e ainda diminui sensivelmente a logística de retirada do lixo: em lugar de percorrer todas as lixeiras de 5 a 8 vezes ao dia para evitar que as embalagens plásticas e os restos de alimentos se amontoem, o pessoal da limpeza só precisa passar uma vez por dia!

Um único operador encosta o pequeno caminhão coletor, abre a tampa da lixeira e recolhe rapidamente todos os resíduos por sucção, com um grande aspirador. Em alguns casos, é possível instalar um sensor na parte interna da tampa da lixeira, para monitoramento do nível de lixo. Quando a lixeira está quase cheia, o responsável pela coleta é acionado pelo celular e faz o recolhimento. Só com essa logística, a prefeitura economiza entre 30% e 50%, em relação às despesas com as lixeiras revestidas por sacolas plásticas. Sem considerar os custos das sacolas, tanto o econômico quanto o ambiental.

O aço de que é feita a Bubble 360L tem 4 milímetros. Os primeiros testes foram realizados com aço de 2 mm, mas os protótipos não resistiram às sessões de vandalismo simuladas na fábrica. Algumas máquinas também foram especialmente desenvolvidas para a fabricação das esferas. Mas o investimento valeu a pena: depois de instalar a primeira leva de 80 lixeiras, a prefeitura de Berlim já fez novas encomendas. E outras cidades turísticas começam a manifestar interesse na esfera da eficiência.

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  1. A nova lixeira esférica não destoa da paisagem moderna de Berlim (foto de abertura) nem de monumentos antigos, como o Portão de Brandenburgo (acima).

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2. O mesmo formato e qualidade das lixeiras serve para peças decorativas externas, como esta floreira.

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3. O sistema de montagem das lixeiras foi especialmente desenvolvido, assim como as máquinas usadas em sua fabricação.

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4. A solda das placas de aço é reforçada, para garantir a durabilidade.

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5. Depois de soldadas, as peças são lixadas e escovadas.

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6. O aço ganha um revestimento especial contra a tinta dos graiteiros.

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7. A lixeira pronta ganha uma tampa colorida, que pode ostentar as cores da cidade.

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8. Alguns pontos turísticos da Holanda também adotaram a lixeira esférica.

Agora, assista ao vídeo que produzi – Quando a lixeira faz toda a diferença – para mostrar a produção da belíssima lixeira criada pela empresa holandesa Lune para a cidade de Berlim, resistente a vândalos e ao clima.

Fotos abertura, 1 e 8: Divulgação Lune
Fotos 2 a 7: Liana John

Economia Criativa

Esta reportagem faz parte do Especial que apresenta uma série de 10 reportagens sobre reciclagem de resíduos na Holanda que realizei a convite do Ministério das Relações Exteriores daquele país. Lá, visitei empresas recicladoras holandesas que podem nos servir de exemplo e inspiração para o desenvolvimento de uma Economia Circular brasileira.

Saiba mais no primeiro post que escrevi – É hora de apostar na Economia Circular – e acompanhe os temas que fazem parte deste especial:

1. Reaproveitamento de couro de sofás
2. Novas funções para velhas estruturas de aço
3. Colchões de espuma para isolamento térmico
4. A difícil arte de separar fibras têxteis
5. Os 3Rs no universo das filmagens
6. Lixeiras com eficiência máxima (este post)
7. Carga pesada no desmonte de navios
8. Reciclagem de eletrodomésticos
9. Do papel ao papel
10. Almere, uma cidade com meta Zero Resíduos

Jornalista ambiental há mais de 30 anos, escreve sobre clima, ecossistemas, fauna e flora, recursos naturais e sustentabilidade para os principais jornais e revistas do país. Já recebeu diversos prêmios, entre eles, o Embrapa de Reportagem 2015 e o Reportagem sobre a Mata Atlântica 2013, ambos por matérias publicadas na National Geographic Brasil.

Liana John

Jornalista ambiental há mais de 30 anos, escreve sobre clima, ecossistemas, fauna e flora, recursos naturais e sustentabilidade para os principais jornais e revistas do país. Já recebeu diversos prêmios, entre eles, o Embrapa de Reportagem 2015 e o Reportagem sobre a Mata Atlântica 2013, ambos por matérias publicadas na National Geographic Brasil.

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