Uma em cada oito aves do planeta está em risco de extinção

Uma em cada oito aves do planeta estão em risco de extinção

Poucos animais atraem a atenção do ser humano tanto quanto as aves. Pequenas, elas podem viver em qualquer lugar e até, se adaptar às grandes cidades. Infelizmente, no passado, a beleza de seus cantos, penas e cores fizeram com que fossem traficadas e muitas delas acabaram desaparecendo da natureza. Em anos mais recentes, o desmatamento e o uso de agrotóxicos na lavoura também contribuíram para o declínio de muitas espécies.

Em um novo relatório, recém-divulgado pela BirdLife InternationalState of the World’s Birds novos números revelam a situação atual dos pássaros no planeta. Segundo o estudo, uma em cada oito aves está ameaçada de ser extinta e 40% das espécies conhecidas estão em declínio. E o mais preocupante é que não estão em risco somente espécies exóticas, que habitam montanhas e ilhas remotas, mas também aquelas mais comuns e populares, como rolinhas, que no passado, eram facilmente avistadas.

Os pesquisadores levaram cinco anos para juntar dados de estudos e censos realizados nas últimas décadas. Para os especialistas, a extinção de aves é provavelmente um das mais bem documentadas.

Desde o ano 1500, já desapareceram mais de 161 espécies, uma média bem maior do que aquela que faz parte da evolução e seleção natural. O estudo afirma, entretanto, que muitas aves classificadas como criticamente ameaçadas pela Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas, da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), já devam estar extintas. Isso significa que, na verdade, 183 espécies entraram em extinção nos últimos 500 anos.

E as extinções continuam. Desde o ano 2000, três espécies de aves deixaram de ser encontradas livres na natureza, entre elas, uma brasileira. A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), atualmente só é encontrada em criadouros. Em 2016, entretanto, como noticiamos neste outro post, uma ararinha-azul foi avistada por agricultores na região de Curaça, na Bahia.

Espécie nativa da Caatinga, a ave foi descrita pela primeira vez em 1832. Ela tem aproximadamente 57 cm, quase a metade do tamanho da arara-azul-grande, daí o seu nome “ararinha-azul”. Sua plumagem azul e seu canto estão entre suas mais marcantes características.

De acordo com o State of the World’s Birds, a agricultura é apontada como a principal responsável pela ameaça à sobrevivência de 74% das 1.469 aves em risco de extinção no mundo. Exploração madeireira, pesca industrial, espécies invasoras, caça ilegal e mudanças climáticas são os demais fatores que estão provocando a redução no número de pássaros.

Mas não há apenas más notícias. O relatório internacional cita histórias bem-sucedidas de conservação e reintrodução na natureza. Pelo menos 25 espécies de aves deixaram de ser consideradas criticamente ameçadas pela IUCN. Isso só é possível através de esforços para garantir a proteção de seus habitats naturais, dando fim ao desmatamento e criando áreas de preservação. Além disso, é importantíssimo envolver comunidades locais neste trabalho. Por isso mesmo, a educação ambiental também é essencial.

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Foto: domínio público/pixabay

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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