Uma baleia encalhada às margens do rio Sena, em Paris? Desde 2008 isso acontece em praias e rios europeus


Primeiro, o corpo de uma baleia cachalote apareceu em Scheveningen, na Holanda. Em 2009, os visitantes e moradores da maior cidade costeira da Bélgica, Oostende, também foram surpreendidos por uma enorme baleia encalhada na praia. Quatro anos depois, a cena aconteceu às margens do rio Tâmisa, em Londres, e também na Playa de Los Arenas, em Valência, na Espanha. Em seguida, em Antuérpia, na Bélgica. No ano passado, foi a vez dos rios Rhein, em Duisburg, na Alemanha, e Vileine, na bela cidade francesa de Rennes, na Normandia.

Em julho último, mais precisamente no dia 22, os moradores e turistas de Paris também se assustaram com a presença de uma cachalote às margens do rio Sena. O corpo do animal sem vida, de cerca de 17 metros, foi visto logo cedinho e exalava cheiro forte, além de ter poças de sangue à volta.

Quando os primeiros pedestres avistaram a baleia morta, especialistas a cercavam e um deles – membro da Associação das Baleias do Mar do Norte – bradava palavras de indignação com a situação, chamando a atenção dos presentes para a importância de preservar o meio ambiente para que essas terríveis e trágicas aparições não se repitam. Todos ouviam o discurso inflamado, chocados. Foi o suficiente para que a notícia se espalhasse pelas redes sociais.

A foto que ilustra este post é um exemplo. Foi feita pelo fotógrafo Julien Kerduff, que acabava de voltar à cidade e se deparou com a cena terrível. Atônito, fez um registro diferenciado do acontecimento e divulgou em seu Twitter:

Abaixo, outro registro interessante da impactante ação, que deixou os parisienses assustados.

Mas, para felicidade de todos, tratava-se de mais uma performance do coletivo ativista Captain Bloomer formado por artistas belgas! Assim como todos os outros registros que listei no início do texto. A associação citada acima também não existe: sua criação faz parte da ação.

Em alguns casos, como em Londres, Rennes e Rhein, a ação fez parte de festivais de música e de arte. O grupo também contou com o apoio de organizações de resgate de baleias com suas técnicas apuradas, o que deu um tom ainda mais real às performances. Em Valencia, teve a parceria do Instituto Oceonográfico, e, na cidade belga, ainda participou da filmagem de um curta-metragem do diretor Philippe Verkinderen.

Ativismo + educação ambiental

Mas engana-se quem pensa que se trata apenas de uma ação artística, sem respaldo científico, como o grupo explica em seu site: “Existe uma importante dimensão educação em nossas ações. Junto com cientistas reais, fornecemos informações completas sobre as cachalotes e porque seria possível aparecerem ali”.

Por isso, eles ressaltam que sua iniciativa é, na verdade, uma intervenção científica. “Fazemos autopsia, amostragem e dissecação e atualizamos o público, em detalhes, a cada avanço da análise. Também mostramos parasitas, dentes e amostras de pele e óleo (real).

E por que escolher uma baleia? “Porque uma baleia encalhada é uma gigantesca metáfora sobre a interrupção de nosso sistema ecológico. As pessoas sentem que seu vínculo com a natureza foi perturbado e o jogo entre ficção e realidade reforça esse sentimento”, ressalta o grupo.

Quem sabe uma hora o Captain Bloomer e sua baleia aparecem pela costa brasileira… Agora, algumas pessoas já sabem que se trata de uma performance, mas não deixa de ser interessante ouvi-los a respeito da importância da preservação dessa espécie e do cuidado que devemos ter com o meio ambiente, localmente.

Abaixo, estão os registros das ações realizadas pelo grupo antes de Paris. Já imaginou uma dessas nas praias do Brasil?

Em Scheveningen, na Holanda, a primeira ação

Na Playa de Los Arenas, em Valencia, Espanha

Em Antuérpia, na Bélgica

Em Rennes, na França

À margem do Rio Rhein, na AlemanhaEm Oostende, a segunda vez na Bélgica

À margem do rio Tâmisa, em Londres

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Zumbis do capitalismo: grupo de artistas e ativistas faz performance por mais humanidade no G20

Fotos: Julien Kerduff (destaque) e divulgação (demais imagens)

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

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