Um pouco da história das Escolas da Floresta

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As primeiras Escolas da Floresta surgiram na Dinamarca, na década de 1950. A educadora Ella Flatau criou o Walking Kindergarten e incluiu uma caminhada diária na natureza no currículo. Em poucos anos, as mães dinamarquesas começaram a organizar jardins de infância com o intuito de levar as crianças do centro de Copenhague para áreas naturais privilegiadas. Ano após ano, crescia o número de escolas infantis na natureza.

Os países escandinavos (Dinamarca, Suécia e Noruega) já têm, em sua cultura, a tradição de estar ao ar livre. Como lá é muito frio, é possível que eles se cansem de ficar em ambientes fechados e aquecidos durante a maior parte do ano e achem melhor se acostumar ou – mais do que isso – desfrutar do clima de cada uma das estações do ano. Em seu vocabulário, eles têm uma palavra que é muito difícil de traduzir – friluftsliv -, que significa um estilo de vida baseado nas experiências de liberdade na natureza e um sentimento de conexão sensível com ela.

O sentimento de profunda conexão espiritual com o mundo natural faz parte da vida cotidiana desses povos. Foi possivelmente esse sentimento que também levou o filósofo e montanhista norueguês Arne Naess a propor a Ecologia Profunda, na década de 1960, afirmando a essencial importância da conexão pela experiência direta e profunda com a natureza para construirmos mudanças transformadoras em nosso mundo. As Escolas da Floresta emergem desse contexto nessa região.

Por outro lado, o Reino Unido e países como os Estados Unidos e o Canadá trazem, em sua história, a influência de grandes educadores como Johann Heinrich Pestalozzi, Friedrich Fröebel e Rudolf Steiner, no século 19, que propuseram pedagogias que incluem a natureza, e também a influência dos transcendentalistas Henry David Thoreau, Ralph Waldo Emerson e John Muir, que enfatizaram a importância da contemplação do mundo natural para a construção de uma sociedade ética e equilibrada.

Na década de 1990, alguns estudantes do Bridgewater College, uma faculdade de educação na Inglaterra, fizeram intercâmbio na Dinamarca para conhecer seu sistema de escolas infantis e se encantaram com a proposta. Eles observaram as crianças brincando, viram sua criatividade desabrochar com facilidade e um grande avanço nas suas habilidades e ideias. Seu entusiasmo foi tão grande que, em pouco tempo, o Bridgewater College já organizava experiências educativas ao ar livre e, em 1995, passou a oferecer formação específica em Escolas da Floresta.

O movimento cresceu rápido no Reino Unido e contou com o apoio da Comissão Florestal, que percebeu que as propostas dessas escolas preenchiam alguns de seus objetivos e passou a dar suporte para pesquisa, treinamento, desenvolvimento local de Escolas da Floresta e produção de materiais específicos. Em 2002, já havia uma rede que reunia seguidores de todo o Reino Unido.

Dez anos depois, foi criada uma entidade para reunir os profissionais envolvidos com esse trabalho – a FSA-Forest School Association -, formada por especialistas de diversos setores: do brincar, da educação infantil, escola primária, escola secundária, de necessidades especiais, de aprendizagem ao ar livre, fundos de proteção à vida selvagem, agências de financiamento, setor florestal, além de participantes independentes. O governo também apoia este movimento de base que cresce por meio de grupos semi-autônomos. Hoje, existem Escolas da Floresta em todo o Reino Unido, ou seja, há, pelo menos, uma iniciativa em quase todas as regiões. E existem, aproximadamente, 10 mil profissionais formados e 36 treinadores.

Conhecendo sua história, podemos perceber que as Escolas da Floresta são, ao mesmo tempo, uma filosofia, uma prática e um movimento. Elas estão crescendo no Canadá e nos Estados Unidos e também há iniciativas dispersas em países de outros continentes como a China, por exemplo.

E no Brasil? Será que já temos iniciativas seguindo este caminho?

Foto: Divulgação/Wakita

Ana Carolina é pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica, e trabalha com primeira infância. Rita é bióloga e socióloga, ministra cursos, vivências e palestras para aproximar crianças e adultos da natureza. Quando se conheceram, em 2014, criaram o projeto “Ser Criança é Natural” para desenvolver atividades com o público. Neste blog, mostram como transformar a convivência com os pequenos em momentos inesquecíveis.

Ana Carolina Thomé e Rita Mendonça

Ana Carolina é pedagoga, especialista em psicomotricidade e educação lúdica, e trabalha com primeira infância. Rita é bióloga e socióloga, ministra cursos, vivências e palestras para aproximar crianças e adultos da natureza. Quando se conheceram, em 2014, criaram o projeto "Ser Criança é Natural" para desenvolver atividades com o público. Neste blog, mostram como transformar a convivência com os pequenos em momentos inesquecíveis.

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