Um outro olhar para a Amazônia: negócios de impacto impulsionam economia da floresta

Em vários posts publicados aqui, no Conexão Planeta, tenho falado de negócios de impacto e, ainda com mais frequência, dos negócios de impacto que se desenvolvem na Amazônia. Creio que são uma das saídas para promover um desenvolvimento mais virtuoso e sustentável para aquela região do Brasil.

Neste mês de fevereiro passarei uma semana em imersão com empreendedores de 15 desses negócios, buscando compreender funcionamento, visão, missão, impacto positivo já provocado e desejado, entre muitas outras coisas. De tudo, o que mais me motiva é ouvir suas histórias, inquietações e trajetórias.

Esses empreendedores tiveram seus negócios selecionados para participar da turma 2020 do Programa de Aceleração da Plataforma Parceiros pela Amazônia e começam, agora, sua jornada. O Programa iniciado no ano passado já tem bons resultados para apresentar: a turma de acelerados em 2019 mobilizou 1667 famílias produzindo ou fornecendo insumos de forma sustentável e contribuiu para que 873 mil hectares da Floresta Amazônica fossem preservados, restaurados ou manejados. Além do fomento ao desenvolvimento do ecossistema de negócios e investimentos de impacto positivo na Amazônia.

Na turma nova, que será acelerada este ano, há empreendimentos que trabalham com turismo comunitário, uso da Floresta Amazônica como pano de fundo para cursos e formações, inteligência e soluções para o desenvolvimento da agricultura para produtores familiares, gerenciamento de transporte fluvial na região, exportação de açaí produzido em cadeias de valor sustentáveis, produção de alimentos associados à preservação da floresta, instalação de painéis solares para produção de energia em comunidades indígenas e quilombolas isoladas da Calha Norte do estado do Pará, valorização e promoção da arte das populações indígenas, dentre outros setores.

Exemplos de desenvolvimento sustentável

Destaco, abaixo, três cooperativas presentes nessa nova turma do Programa de Aceleração da Plataforma Parceiros pela Amazônia.

Uma delas, a Cooperativa de Desenvolvimento Agroextrativista e de Energia do Médio Juruá (Codaemj), produz, vende e entrega óleos de sementes de andiroba, murumuru e ucuuba para a indústria de cosméticos, e alcança 64 comunidades rurais envolvendo mais de duas mil pessoas e 370 famílias, sendo as mulheres 70% dos cooperados.

Já a Cooperativa dos Extrativistas da Flona de Carajás (Coex Carajás) tem 39 cooperados e busca gerar renda por meio da extração sustentável das folhas do jaborandi – matéria prima para formulação de produtos farmacêuticos – e da comercialização de sementes de outras espécies. Segundo a Coex, essa atividade já é responsável pela recuperação de mais de mil hectares de floresta.

E a terceira iniciativa bacana é a Cooperativa Agroindustrial da Transamazônica (Coopatrans), que é formada por produtores de cacau de Medicilândia, no Pará, e produz os chocolates Cacauway.

É um outro olhar para a Amazônia. Que fomenta e coloca em prática a economia da floresta, promovendo a preservação, geração de renda para as comunidades e valorizando seus saberes, sua cultura.

Em breve, compartilharei notícias detalhadas sobre todos esses empreendimentos. Enquanto isso, convido vocês a conhecerem um pouco mais desse universo em um texto que publiquei neste blog: Negócios inclusivos e que valorizam a floresta em pé crescem na Amazônia

Foto: Sebastien Goldberg/Unsplash

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colabora com a revista Página 22, da FGV-SP e com a Plataforma Parceiros Pela Amazônia, e atua nas áreas de meio ambiente, investimento social privado, economia solidária e negócios de impacto, linkando projetos e pessoas na comunicação para um mundo melhor

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