Um Oscar lindamente negro

Um Oscar lindamente negro

Em 2016, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, que promove a premiação do Oscar, sofreu um vergonhoso boicote de muitos atores negros, como noticiamos aqui. O protesto foi porque, assim como em 2015, os 20 atores indicados ao prêmio no ano passado eram todos brancos. O primeiro a se pronunciar foi Spike Lee e rapidamente outras celebridades endossaram o boicote e a hashtag #OscarSoWhite (Oscar branco demais, em tradução livre) se espalhou nas redes sociais, e recebeu apoio, dentre outros, de Will Smith e sua mulher Jada Pinkett.

Mas parece que em 2017 a academia de cinema americana conseguiu se redimir perante a classe artística e durante uma cerimônica histórica, em que o nome do grande ganhador foi trocado – Moonlight recebeu a estatueta de melhor filme e não La La Land como anunciado -, diversos atores e diretores negros subiram ao palco e encantaram o público com discursos emocionantes, mostrando toda a força, determinação e talento desta raça, que ainda hoje, enfrenta preconceito e discriminação no mundo inteiro, inclusive, nos Estados Unidos e aqui no Brasil.

A comemoração da equipe de Moonlight

Concorrendo a oito estatuetas, Moonlight foi o grande vencedor da noite, conquistando as categorias Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Adaptado. O filme conta a história comovante de um jovem negro, que enfrenta a pobreza e as drogas no bairro onde mora, em Miami. A mãe é uma viciada em crack e o personagem principal vive em conflito para aceitar sua sexualidade.

Melhor ator coadjuvante por Moonlight, Mahershala Ali

Mahershala Ali que interpreta o papel de um traficante de drogas e – melhor amigo do personagem principal -, em Moonlight, agradeceu o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante homenageando seus professores.

Já Viola Davis, maravilhosa na foto que abre este post, que recebeu o Oscar por Melhor Atriz Coadjuvante no filme Fences, fez um discurso tocante, ao falar que as histórias que mais gosta de interpretar são aquelas das pessoas que tiveram grandes sonhos, mas nunca conseguiram conquistá-los.

Outro momento inesquecível da festa, em Los Angeles, foi quando a física aposentada da NASA, Katherine Johnson, foi ao palco. De cadeira de rodas, ela foi ovacionada pelo público. Ela é uma das personagens retratada no filme Hidden Figures, que conta a história – até então pouco divulgada – de três mulheres afroamericanas, extraordinárias matemáticas, que tiveram papel fundamental no lançamento de John Glenn e muitos outros astronautas ao espaço.

Katherine Johnson, física da NASA, homenageada no palco do Oscar

Foi simplesmente lindo ver o reconhecimento de tanta gente talentosa e negra no Oscar 2017! Que no ano que vem, a festa preze novamente pela diversidade!

Fotos: divulgação Oscar 2017

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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