Um milhão de garrafas plásticas são vendidas por minuto no planeta

Um milhão de garrafas plásticas são vendidas por minuto no planeta

Se você não ficou chocado com o número no título, aqui está outra estatística: 20 mil garrafas de plástico são compradas a cada segundo no mundo.

E só no tempo que você levou para ler a frase acima, foram vendidas outras 127 mil garrafas plásticas.

Deu para entender agora o tamanho do problema que estamos enfrentando? Um levantamento divulgado pelo jornal britânico The Guardian revela que, apenas em 2016, foram comercializadas 480 bilhões de garrafas feitas com plástico. E se este consumo já não fosse suficientemente alarmante, ele deve crescer mais 20% até 2021, chegando a 583 bilhões de unidades. Os dados são da pesquisa Global Packaging Trends Report da consultoria Euromonitor International.

Especialistas afirmam que o impacto ambiental provocado pelo lixo plástico no planeta, sobretudo nos oceanos, deverá ser pior do que aquele causado pelas mudanças climáticas.

O plástico surgiu como uma das grandes invenções da humanidade. Leve, prático e barato, serve como embalagem para tudo. E com isso, sua produção deu saltos gigantescos ao longos das últimas décadas.  Em 1964, foram 15 milhões de toneladas fabricadas. Em 2015, este número pulou para 322 milhões de toneladas.

Mas é o uso do plástico para a fabricação de garrafas de água e outros tipos de bebidas que tem gerado o maior impacto sobre a natureza. O estudo publicado pelo The Guardian destaca que o consumo do produto para estes fins por países asiáticos, principalmente a China, importando a cultura ocidental de “comprar água na rua”, está piorando ainda mais a situação já catastrófica.

Apesar de grande parte das garrafas serem feitas com polietileno tereftalato (PET), um polímero termoplástico, e perfeitamente passível de reciclagem, a quantidade monstruosa de unidades produzidas por segundo no planeta torna esta tarefa praticamente impossível. Estima-se que menos da metade das garrafas compradas no ano passado foram recicladas. O que sobra desta montanha enorme de lixo plástico vai parar em aterros sanitários ou nos oceanos.

A reciclagem da garrafa PET é possível,
mas a quantidade produzida globalmente torna a tarefa impossível

Pesquisadores até quantificaram o volume destes resíduos: 8 milhões de toneladas de plástico são jogadas no mar por ano. É algo em torno de 5,2 trilhões de fragmentos plásticos boiando ou depositados no fundo da água.

E como tudo na Terra está interligado, o plástico no mar é ingerido pelos peixes e nós, seres humanos, quando comemos camarão, lula ou aquele filé de cação, também consumimos os fragmentos daqueles milhões de garrafas PET, que vão se desintegrando – e poluindo – lentamente os oceanos (leia mais sobre o assunto neste outro post).

Na semana passada, a multinacional Coca-Cola – maior fabricante de bebidas do mundo – anunciou que irá aumentar para 50% o uso de plástico reciclado em suas garrafas. Ambientalistas criticaram, com toda razão, o porcentual, ressaltando que ainda é muito pequeno e que uma meta mais alta deveria ser estipulada.

É necessário pressão de governos e sociedade para que haja mudança. E ela deve começar pelo consumidor. Por você, que está lendo esta reportagem. Leve sempre uma garrafa de água na bolsa, na mochila. Evite comprar garrafas de plástico PET na rua. Faça a sua parte!

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Foto: Eric/Creative Commons/Flickr

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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