Um jardim inclusivo, acessível e multissensorial

jardim

Estar em contato com a meio ambiente é uma terapia. Olhar a paisagem, tocar a terra e sentir o aroma das flores nos acalma e faz bem para o corpo e a alma. E como fazer com que portadores de deficiências possam aproveitar também esta experiência?

Dependendo do tipo de deficiência, alguns aspectos do jardim se tornam mais importantes do que outros, no entanto, a palavra chave para  ajudar estas pessoas a usufruir melhor a natureza é acessibilidade.

Primeiramente, para que pessoas com problemas motores possam aproveitar do jardim sensorial é essencial a instalação de rampas e corrimãos, sempre verificando se o tamanho do espaço comporta a passagem de uma cadeira de rodas. Pórticos e marcos dão uma referência de espaço mais concreta e tátil, oferecendo ao visitante um marco, a possibilidade de se saber onde está.

Depois disso, vem a hora de escolher as plantas. Elas devem ter folhas macias e aveludadas para estimular o toque, principalmente por aqueles com deficiência visual. Já flores pendentes são um ótimo convite para que o visitante se aproxime e possa cheirar o aroma das mesmas. Folhas suaves refletem o movimento do vento e estimulam nossos sentidos. Para deficientes visuais, com audição extremamente sensível, estas folhas e demais plantas, além de chafariz e recipientes com água, podem servir de guia com seu som.

Incluir plantas e flores que atraiam pássaros é muito importante também. A presença do canto deles torna a experiência sensorial ainda mais prazerosa.

Por último, outo aspecto importante é pensar que a organização do espaço tenha uma certa previsibilidade. No desenho e layout do espaço, imagine-se de olhos fechados  em um jardim e tente construir um mapa mental. Quanto mais elementos táteis houver, mais fácil será aproveitar a experiência. Este efeito sensorial, acrescido da previsibilidade, traz controle e relaxamento para o deficiente.

Abaixo, segue uma lista com algumas espécies de plantas que possuem características sensoriais: algumas são aromáticas, outras esculturais e há ainda aquelas que se projectam em direção aos caminhos, pontuando-os como texturas, cores e aromas.

Árvores (sempre mandam sinais do vento e da chuva)
Eucalipto (Eucaliptus globosus , E. citriodora , E. cinerea) – além de bordear grandes propriedades indicando ventos fortes e altos, perfuma o ar e fornece lindíssimos frutos secos
Chorão, salgueiro argentino, pimenta rosa – projetam suas folhas em dossel formando uma agradável cortina tátil e macia,. Bordeiam lindamente margens de rios, lagos e fontes. O salgueiro atrai os pássaros pelos deliciosos frutos.

Árvores frutíferas
Calabura, acerola, pitanga, jabuticaba, uvaia, cereja, pêssego, ameixa, caju,, cajuzinho anão do cerrado

Árvores floríferas
Jasmim manga (Plumeria rubra) e Ipês (Tabebuia Alba, T. rosea, T. heterophyla) – formam um tapete de flores perfumadas
Flamboyants –  fornece um sombreado bastante amplo, sementes grandes que parecem chocalhos
Eritrina mulungu – atrai as maritacas e as flores têm forma de faca com uma pétala muito macia
Pata de Vaca (Bahuinea purpurea), grevilha anã e caliandra – atraem  os beija flores.

Trepadeiras para pergolados
Sapatinho de Judia
Jade
Mucuma Bennet

Floreira em cascata
Rucelia
Brinco de princesa
Abutilon

Plantas esculturais
Suculentas,  Crassulaceas (bálsamo, rosa de pedra, kalanchoe)
Tuyas (pinheirinho)
Buchinho (topiaria)
Ligustro (topiaria)
Clusea fluminensis
Girassol
Íris
Cyca revoluta – exala um aroma característico
Heliconia rostrata

Plantas macias ou perfumadas
Cinerária
Alecrim
Boldo
Malva (Lavaterra trimestris, Alcea rosea, Malva silvestris)
Lavanda
Hortelã

Foto: domínio público/pixabay

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

Liliana Allodi

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

Um comentário em “Um jardim inclusivo, acessível e multissensorial

  • 21 de agosto de 2016 em 6:27 PM
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    O termo correto a utilizar “pessoas com deficiência ” e não mais “portadores” como citado no texto.

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