Um jardim de contemplação e meditação

jardim zen

Com o crescente adensamento das cidades e a perda, cada vez mais significativa, das áreas verdes que rodeiam nossas casas, o cuidado e planejamento dos espaços livres, que antigamente eram bem mais amplos nos centros urbanos, foi diminuindo. Quando se faz um projeto para um jardim, as intenções podem ser as mais diversas: ter uma área para tomar sol ou para as crianças brincarem no gramado, isolar a casa da poluição sonora ou visual, ou até mesmo, para aproveitar um cantinho no final do terreno, por menor que seja, para olhar as estrelas – um lugar perfeito para nos induzir a respirar  fundo. E ele pode ter uma intenção prática ou filosófica por trás de seu traçado e da escolha de seus elementos.

Então, o que você  deseja ter em seu jardim? Muitas pessoas me perguntam se nesses canteiros semissombreados é possível cultivar alimentos e minha resposta é sempre a mesma: “Bate sol? Quantas horas por dia?

Se a resposta for positiva, não importa o tamanho, basta que não falte água e paciência, e tudo crescerá nas devidas proporções. Entretanto, sei que que tem muita gente dizendo ser possível cultivar hortaliças dentro de casa, mas isto é uma tarefa difícil sem as quatro horas diárias mínimas de luz solar. A menos que se instale uma fonte luminosa suficientemente forte para manter as plantas bem desenvolvidas, elas tardarão a crescer e enfraquecerão progressivamente sem a luz adequada.

Todavia, vale a pena fazer alguns cálculos entre o custo beneficio entre hortaliças, água e luz. Ele poderá ser desequilibrado, principalmente se a conta do verdureiro der mais barata que a da manutenção do jardim. Então é preciso ponderar se seu de jardim deve mesmo ser cultivado com hortaliças e ervas aromáticas, pois há outras opções  mais econômicas  e duradouras.

Em geral, minha sugestão para quem faz questão de ter um vínculo especial com o jardim e possui um pequeno espaço, semissombreado, é fazer um jardim votivo, aquele tipo que remete a pessoa a um estado de oração ou meditação. Ou seja, um cantinho de paz.

Ao criar refúgios de quietude para reflexão e reorganizar os pensamentos, podemos fazê-lo sem muito custo. Será um recanto para escutar o vento batendo nas folhas, ver a chuva chegar ou a lua nascer. Uma janelinha para o céu para meditar e recarregar as energias.

Na história dos jardins, diferentes tipos estéticos foram criados, em que os elementos naturais se moldam de acordo com a filosofia, colocando em evidência formas e proporções.

Existem jardins votivos onde imagens mitológicas de deusas ou anjos são colocados em pontos de convergência do foco, criando altares ou, ao contrário, como no jardim zen, onde o minimalismo reduz a competição entre flores e plantas, resumindo os elementos da natureza  à um mínimo para criar um ambiente rodeado pelas linhas claras e simples. Neles, fontes, pórticos e padrões de textura nos pisos, pedras e plantas permitem com que cada elemento no jardim seja destacado e onde o principal objetivo é de favorecer a introspecção e servir de amparo fisico para a higiene mental.

No jardim zen, a intenção não é reproduzir a natureza, e sim, de colocá-la em sua essência, retirando todos os elementos superficiais.

As plantas são escolhidas uma a uma, considerando-se cada uma das etapas de seu desenvolvimento, procura-se valorizar até mesmo as folhas e flores caídas no chão.

Uma planta pode ser escolhida por causa de sua forma ou do movimento de suas folhas ao vento. Algumas vezes, procura-se esvaziar o jardim ao máximo para que cada planta exerça um papel central de atração do foco, oferecendo ao espectador uma paisagem acolhedora e introspectiva.

São escolhidas plantas pela beleza de suas linhas e  pela constância de cores e tons. Elementos como pedras, fontes e musgos criam um contexto de uniformidade, ampliando o horizonte. Em geral, um elemento de destaque é adicionado num dos terços do terreno e as plantas são agrupadas em números ímpares.

Plantas de folhas decíduas são escolhidas para que o jardim vá se modificando a cada estacão do ano e transmita a impermanência das coisas. O elemento água pode estar representado através de um vaso, planta ou escultura. Frequentemente, plantas de fluidez e profusão estão presentes, como o bambu ou o chorão. O elemento fogo é representado pelas cores e o elemento ar pela amplidão do espaço. Já o elemento terra aparece em rochas e madeira.

Para quem quer criar um jardim de meditação ou zen em casa, ou apenas um cantinho com essse propósito, o importante ê saber que a constância das folhagens deve formar uma área de uniformidade e previsibilidade para que o pensamento possa se esvaziar e meditar.

Aqui  abaixo estão algumas plantas de pequeno porte e elementos que podem ser utilizadas na formação do jardim zen. Namastê!

Tuya
Pinheiro macarrão
Pinheiro Kaisuka
Bambusa gracilis
Nandina
Buchinho
Iris
Moréia
Pacova
Sellanginella
Unha de gato
Hera
Avenca
Magnólia selowiana
Camélia
Acer
Pitospóro
Podocarpo
pedras
cascalho
ânfora
lâmpada de pedra

Foto: domínio público/pixabay

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

Liliana Allodi

Geógrafa, paisagista, educadora ambiental e ilustradora científica. Começou a carreira em São Paulo como consultora paisagística. Durante 10 anos viveu no exterior (Austrália, Israel e USA) e neste último país, firmou suas habilidades para trabalhar com crianças. Atualmente dá aulas de horticultura para alunos do Ensino Fundamental, em Brasília. Também desenvolve projetos junto à Cia da Horta para centros de ensino, clubes e empresas.

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