Um beijo pela paz e pelo fim da intolerância

vídeo protesto mostra beijo entre judeus e palestinos

Difícil não se emocionar. No lugar da bandeira branca, um beijo. Esta foi a resposta da publicação israelense Time Out Tel Aviv contra a censura do governo a um livro que fala sobre o amor secreto e proibido entre uma mulher judia e um palestino muçulmano.

O vídeo foi produzido depois que dois ministros de Israel – um responsável por Sociedade e Estudos Humanos e outro do Secretariado Pedagógico – proibiram o livro Borderline (ainda sem tradução para o português) de ser utilizado nas aulas de literatura do ensino médio das escolas do país. Escrito por Dorit Rabinyan, a obra conta a história de uma jovem judia e um homem árabe que se conhecem em Nova York. Os dois se apaixonam, mas depois seguem caminhos distintos. Ela volta à Tel Aviv e ele segue para Ramallah. O livro já tinha sido aprovado por diversos professores e especialistas em educação.

O Ministro da Educação, Naftali Bennett, líder do partido de direita judeu, afirmou que não foi envolvido na decisão, todavia, a apoiava.

Quando foi lançado, em 2014, Geder Chayah (título original em hebraico) foi muito aplaudido pela crítica. E no ano passado, recebeu o prestigiado prêmio de literatura israelense Bernstein. A autora considera a proibição um escândalo.

Seis casais foram convidados para participar do vídeo-protesto, que dura apenas 1 minuto e 50 segundos. Alguns se conheciam, outros nunca tinham se visto antes. Alguns eram heterossexuais, outros gays. Mas todos eles eram compostos por um israelense e um palestino. E o que os unia? Um beijo. Longo e demorado. Um beijo pela paz. Um pedido para que a censura inaceitável à Borderline seja retirada. Ao final do clip, surge uma linda mensagem: “Judeus e Árabes se recusam a ser inimigos”.

Em apenas dois dias, o vídeo já tinha sido visualizado por 2,5 milhões de pessoas, com mais de 20 mil compartilhamentos. Tornou-se viral. O protesto foi inspirado em outro vídeo – First Kiss, produzido em 2014 por Tatia PIlieva, em que estranhos se beijavam, e que já teve mais de 110 milhões de visualizações no Youtube.

Se o governo israelense temia que a leitura do livro nas escolas estimulasse relações entre árabes e judeus, a decisão arbitrária e ditatorial não poderia ter sido um marketing melhor para Borderline. A procura pelo livro explodiu nas livrarias. Além disso, foi solicitada a tradução do livro para o português, espanhol e húngaro.

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Imagem: reprodução vídeo

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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