UFRJ elege, pela primeira vez, em 100 anos, uma mulher como reitora

URFJ elege primeira reitora mulher

Enfim, começamos a semana com uma ótima notícia. Em meio a tantas loucuras que andam acontecendo no Ministério da Educação, uma excelente novidade vem da capital fluminense: foi eleita na semana passada a primeira reitoramulher – da história da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que completa, no ano que vem, 100 anos.

A professora Denise Pires de Carvalho fazia parte da Chapa 10 (#ufrjvaiserdiferente), ao lado do também professor Carlos Frederico Rocha. Eles foram os vencedores na pesquisa feita na comunidade universitária para escolha da nova reitoria da UFRJ. No total, foram pouco mais de 20 mil votos. A chapa conquistou quase 9.500 deles.

Denise é professora titular do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF/UFRJ). Leciona nos cursos de graduação da área da saúde e nos programas de pós-graduação em Medicina (Endocrinologia) e Ciências Biológicas-Fisiologia da UFRJ. Tem pós-doutorado pelo Hôpital de Bicêtre (Paris) e pelo Universitá Degli Studi di Napoli (Itália).

Ela também já foi diretora e vice-diretora do IBCCF/UFRJ, coordenadora acadêmica da Pró-Reitoria de Graduação (PR-1/UFRJ), além de diretora adjunta de graduação e pós-graduação.

“É muito emocionante esse momento, principalmente porque a comunidade acadêmica se mobilizou muito. Foram muitos votos de estudantes, técnicos, professores que acreditaram e acreditam no nosso projeto”, disse ela, em vídeo divulgado na página da chapa no Facebook. “Um projeto inovador de aumentar o diálogo, de democratizar ainda mais a universidade, que deve permanecer pública, gratuita e de qualidade”.

Assim como em outras universidades federais do país, agora o nome de Denise Pires de Carvalho será encaminhado, juntamente com outras duas recomendações, ao Ministério da Educação e depois, ao Presidente da República.

Se o nome da professora for confirmado, ela assumirá a reitoria para o quadriênio 2019 – 2023.

Pela frente, há um enorme desafio para a primeira mulher a administrar a UFRJ, a primeira universidade do Brasil. O ensino público do país carece de investimento em infraestrutura e valorização de seus profissionais.

Espera-se agora, que com uma gestão feminina, à frente de um dos principais centros de estudo, conhecimento e pesquisa brasileiro, consiga-se, finalmente, se dar a real importância à educação para o desenvolvimento econômico e social de nossa nação.

Abaixo, segue a entrevista que Denise concedeu ao Conexão Planeta:

Quais são os principais desafios de se administrar uma das principais universidades do país? Ainda mais agora quando o Ministério da Educação se encontra tão sem rumo?
Eu não diria que o ministério está sem rumo. Um novo ministro já foi nomeado. Vamos aguardar para que ele trabalhe conosco no sentido de fortalecer o sistema educacional brasileiro. O maior desafio neste momento refere-se às restrições orçamentárias, que são muito graves. Para nos tornamos um país do futuro, precisamos investir em educação, ciência e tecnologia. Nao há outro caminho a seguir.

É muita responsabilidade ser a primeira mulher a assumir esse cargo?
É muita responsabilidade assumir a administração da primeira e maior universidade federal do país. É histórico e simbólico ter sido a primeira mulher eleita após 100 anos da sua existência. Isso nos honra muito. Estamos dispostos a enfrentar os desafios para retornarmos a ocupar o posto de melhor universidade brasileira e talvez, a melhor da América Latina. Vamos trabalhar muito em conjunto com a comunidade universitária para alcançarmos este objetivo.

Você acha que uma gestão feminina pode trazer um olhar diferente para a universidade? Se sim, em que sentido?
A administração feminina pode ser diferente sob o ponto de vista de ser mais acolhedora. Pretendemos administrar a universidade com mais diálogo e acolhimento. O vice-reitor da nossa chapa é homem, mas também tem esta característica de privilegiar o cuidado com a pessoa. Teremos atenção máxima com o nosso corpo social.

Para quem estiver interessado, aqui estão as propostas da Chapa 10.

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Foto: reprodução Facebook Chapa 10

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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