Tufão nas Filipinas, furacão nos Estados Unidos… Efeitos do aquecimento global?


Tufão nas Filipinas, furacão nos Estados Unidos... Efeitos do aquecimento global?

*Atualizado em 18/09/2018

Os números ainda não estão confirmados, mas a Secretaria de Defesas das Filipinas anunciou que, até o momento, já são pelo menos 74 vítimas e mais de 5 milhões de pessoas afetadas pelo tufão Mangkhut, um ciclone tropical de categoria 5, que atingiu o país no final de semana. Considerado um dos piores fenômenos climáticos dos últimos cinco anos, ele agora segue para a China.

Em diversas regiões das Filipinas, o volume intenso de chuva provocou deslizamentos e várias pessoas estão desaparecidas. No município de Itogon, na província montanhosa de Benguet, a 200 km da capital Manila, 34 corpos foram retirados da lama.

Filipinos tentam escapar do tufão 

Nos vilarejos, inundados pela água, muitas famílias só conseguiam se locomover com barcos improvisados. Centenas de casas foram destruídas pela força do vento e o número de desabrigados ainda não foi calculado.

A água derruba tudo que encontra pela frente

Do outro lado do mundo, na costa leste americana, o furacão Florence, que começou no oceano como categoria 5, ficou mais fraco ao chegar à Carolina do Norte, mas nem por isso perdeu seu poder de destruição. Cientistas ficaram impressionados com o tamanho da massa gigantesca da tempestade, que se movia lentamente sobre o estado, trazendo chuva intensa sobre a região. A imagem que abre este post é dela, registrada por um satélite da Agência Espacial Americana (Nasa).

Cidades estão completamente inundadas, combustível e alimentos começam a faltar e não há eletricidade. Uma das mais atingidas é Wilmington, onde autoridades planejam jogar de helicópteros comida e água para os 120 mil moradores que se encontram isolados do resto do estado.

Até agora, já foram registradas 32 mortes provocadas pelo Florence na Carolina do Sul e do Norte. Milhares de casas estão alagadas. O prejuízo ainda não foi contabilizado.

O que todos perguntam é se estes eventos extremos têm relação com o aquecimento global. Primeiro, é preciso esclarecer que várias regiões do planeta sempre sofreram mais com secas, tempestades, furacões e tufões, como é o caso, inclusive, das Filipinas.

Todavia, especialistas destacam que com o aumento da temperatura da água do oceano e da superfície terrestre, esses desastres naturais tornaram-se mais frequentes e fortes. Fala-se até que, a categoria das tempestades deverá ser reavaliada e poderemos presenciar um aumento dela. Atualmente o máximo é 5, com potência para destruir uma cidade inteira. Mas cientistas temem que em um futuro muito próximo, tempestades poderão chegar a uma categoria 6.

Estudos apontam, por exemplo, que nos dias de hoje há mais 5% ou 8% de vapor de água circulando pela atmosfera do que há uma década. Junte-se a isso a água mais quente do fundo dos oceanos, onde os furacões se formam, a fórmula para uma grande e devastadora tempestade está criada.

Infelizmente, o governo republicano da Carolina do Norte, decidiu há alguns anos que a projeção do nível do mar seria estudada a partir de dados históricos e não modelos baseados nas mudanças climáticas. Ou seja, olhar para o passado para tentar resolver um problema que está diretamente ligado à forma como vivemos no presente. O resultado pode ser visto nas ruas inundadas e casas abandonadas por causa do furacão Florence. O mais inacreditável foi que o governador da época realmente aprovou uma lei que afirmava que “a ciência do clima não era confiável e extremada demais”.

Como suplicou o ativista e ator Harrison Ford, neste final de semana, “Parem, pelo amor de Deus, de denigrir a ciência. Parem de dar poder a pessoas que não acreditam na ciência, ou pior do que isso, fingem que não acreditam na ciência por interesse próprio. Eles sabem quem são. E nós sabemos quem eles são!”, em referência clara à eleição do presidente Donald Trump, nos Estados Unidos, que diz que o aquecimento global não existe.

“Todos nós – pobres ou ricos, sem poder ou com poder – iremos sofrer os efeitos das mudanças climáticas e a destruição dos ecossistemas. Estamos enfrentando o que está se tornando a maior crise moral de nosso tempo: aqueles com menos responsabilidade padecerão com as piores consequências”, alertou Ford.

*Com informações do jornal The Guardian

Fotos: divulgação Nasa (abertura) e Cruz Vermelha Filipinas/Fotos Públicas

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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