Tristeza pode vir da falta de natureza

O contato com a natureza pode pôr um fim a muitos dos males emocionais e físicos que enfrentamos hoje. Em todo o mundo, a depressão aumentou 18% entre 2005 e 2015 – são 322 milhões de pessoas. No Brasil, a doença chega a 11,5 milhões, conforme dados de 2017 da Organização Mundial da Saúde. Ao lado da depressão segue a ansiedade: a mesma organização divulgou que mais de 18,6 milhões de brasileiros sofrem com ela.

E o que ouvimos dizer, sempre? Que as causas estão relacionadas ao stress, à falta de tempo para tudo, às “correrias” do dia a dia, ao excesso de atividades e responsabilidades, à bagunça que o mundo virou – só que pouca gente conecta essas doenças à ausência de natureza em suas vidas.

Com essa correria toda, atividades literalmente vitais passaram a ser vistas como menos importantes e deixaram de ser priorizadas: caminhar com pé na terra, sentar na beira do rio para observar a água fluir, curtir os cantos dos passarinhos, nadar no mar, podar as flores do jardim, tomar banho de chuva, fazer carinho – com calma e sem pressa – no animal de estimação.

Hábitos nada saudáveis, incluindo males da saúde física e emocional, têm consequentemente atingido crianças. Além da depressão e ansiedade, elas também padecem de obesidade: 41 milhões menores de 5 anos são obesos ou estão acima do peso no mundo. Isso não é normal.

No livro A Última Criança na Natureza, do jornalista Richard Louv (que o ornitólogo Sandro Von Marten entrevistou para o blog Avoando, aqui no Conexão Planeta), editado no Brasil pelo Instituto Alana, fica absolutamente clara a relação entre essas doenças e a falta de natureza.

O especialista diz que estudos científicos revelam que a exposição direta à natureza é essencial para a saúde física e emocional e capaz de melhorar a capacidade cognitiva, a resiliência ao stress e à depressão e até de reduzir o que se chama de hiperatividade.

Chegou a hora de curarmos, como explica Louv, nossa Síndrome de Déficit de Natureza (a educadora Rita Mendonça já falou sobre esse tema no blog Ser Criança é Natural, também no Conexão). Embora seu livro seja focado em crianças, essas premissas também servem aos adultos.

Agora, vamos lá! E o que a Amazônia tem a ver com isso? Se a conexão com a natureza que está ao seu lado é capaz de te curar de tantas coisas, zelar pela saúde dos seus filhos, como será que seu corpo e sua mente reagiriam ao entrar em contato direto com a maior floresta do planeta?

Posso dizer, por mim, que ela mudou a minha vida e não sou a única a dizer isso. “Na Amazônia fui recebido pela lua mais linda que já vi na vida: cheia, vermelha, perfeita. Quando me perguntam como foi a viagem eu sinceramente nunca sei o que responder. Não tem como explicar algo que mudou de fora pra dentro e, ao mesmo tempo, de dentro pra fora. É complexo demais. Sempre acabo me atendo em dizer que ‘foi ótima’, sabendo que isso não resume nem 1% do meu sentimento”, me contou Bruno Berilli, dias após voltar da viagem que organizei em parceria com o Engajamundo ao Tapajós, como contei aqui.

Na Amazônia, a cura é potente. Ela é a UTI do mundo para os que sofrem as consequências do déficit de natureza na vida.

Mas, não se preocupe! OK se você não quiser ou não puder ir até a floresta. Você vive dentro de um lindo planeta azul e tem muitas possibilidades de escolha sobre onde pausar, respirar, se reconectar. O que importa é acrescentar, à sua lista de prioridades, o contato direto com a Mãe Terra. Com certeza sua saúde física, mental, emocional e espiritual melhorarão exponencialmente.

Foto: Austin Neil/Unsplash

Conectada com a força da floresta – guiada, protegida e inspirada por ela. Jornalista ambiental, educadora e fundadora do Reconexão Amazônia. Há mais de uma década tem se dedicado a proteger a Amazônia, onde morou por cinco anos. Mestre em Ciências Holísticas pela Schumacher College, Inglaterra, é formada em Educação para a Sustentabilidade pelo Gaia Education e Vivências com a Natureza pelo Instituto Romã.

Karina Miotto

Conectada com a força da floresta – guiada, protegida e inspirada por ela. Jornalista ambiental, educadora e fundadora do Reconexão Amazônia. Há mais de uma década tem se dedicado a proteger a Amazônia, onde morou por cinco anos. Mestre em Ciências Holísticas pela Schumacher College, Inglaterra, é formada em Educação para a Sustentabilidade pelo Gaia Education e Vivências com a Natureza pelo Instituto Romã.

Um comentário em “Tristeza pode vir da falta de natureza

  • 25 de maio de 2018 em 10:42 AM
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    Um pequeno jardim em casa já quebra o galho para um contato diário com a natureza, imprescindível mas nem sempre acessível a todos os amantes do verde e às vezes basta olhar para o simbolismo de uma simples folha verde e úmida, para receber dela o que ela oferece de bonito, saudável e curativo, sobrevivendo entre uma fresta de muro, apenas ela, inteira e corajosa, teimosamente acreditando que “a vida é bela”, uma lição para quem sabe ler como deveríamos ser.

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