Três universidades brasileiras estão no ranking das 100 mais sustentáveis do mundo


Três universidades brasileiras estão no ranking das 100 mais sustentáveis do mundo

Quem são as instituições de ensino internacionais que estão se preparando para uma nova realidade, em que as mudanças climáticas são reais, e seus alunos precisarão ser cidadãos e profissionais conscientes de que os recursos naturais são finitos e o crescimento econômico depende do fim da desigualdade social?

O ranking de sustentabilidade UI GreenMetric World, elaborado pela Universidade da Indonésia, tem o objetivo de dar essa resposta. É o primeiro do mundo, que além da excelência acadêmica, avalia também a questão ambiental.

Nesta edição, foram analisadas 719 instituições, de 81 países. Das dez universidades que aparecem no topo de ranking, quatro ficam no Reino Unido. As que estão nas cinco primeiras posições são Wageningen University & Research (Holanda), University of Nottingham (Reino Unido), University of California Davis (Estados Unidos), University of Oxford e Nottingham Trent University, ambas britânicas (veja lista completa aqui).

No total, dez universidades brasileiras são citadas no levantamento. E três delas ficaram dentre as 100 mais sustentáveis: a Universidade de São Paulo (USP), em 23º lugar, a Universidade Federal de Lavras (Minas Gerais), em 38º, e a Universidade Positivo (Curitiba, PR), na 99ª posição.

Para chegar à lista final, o ranking UI GreenMetric World leva em conta seis quesitos: Local e Infraestrutura; Energia e Mudanças Climáticas; Resíduos; Água; Transporte e Educação (entenda melhor a avaliação de cada um deles ao final deste post).

A USP se destaca no item Local e Infraestrutura, tendo nele a pontuação mais alta de todas as universidades do ranking, inclusive, sobre a grande vencedora. O quesito avalia a “relação entre áreas abertas em relação à área total, área de floresta, área de vegetação plantada, área para absorção de água, total de área aberta dividida pela população total do campus, orçamento da universidade para ações de sustentabilidade”. Dos 1.500 pontos máximos, a USP conquistou 1.450. Lavras também atingiu uma nota bastante alta nessa categoria, com 1.375 pontos.

Desde 2012, a USP tem uma Superintendência de Gestão Ambiental, criada para  planejar, implantar, manter e promover a sustentabilidade ambiental em seus campi e nas áreas de pesquisa. No final do ano passado, foi lançada a Política Ambiental da USP.

“O ranking nos mostra os pontos nos quais podemos melhorar, como a questão da água e da energia, e também nossos pontos fortes. Na questão da infraestrutura, por exemplo, atingimos 96.67% da pontuação”, comemora Patrícia Lemos, superintendente de Gestão Ambiental. “Lembrando que a sustentabilidade envolve não só a questão ambiental, mas social e econômica. É papel da universidade ser um agente de mudança”.

Já a Universidade Positivo, na capital paranaense (na foto que abre este post), fez bonito na área de Energia e Mudanças Climáticas, conquistando a 18ª posição entre as 179 instituições internacionais. Ela tem em andamento um projeto para combinar vários tipos de energias renováveis, que pretende garantir a autossuficiência energética para o grupo. A primeira fase do projeto contou com a instalação de uma usina solar, que gera eletricidade para um dos campus, em Curitiba. A produção equivale ao abastecimento de 46 residências e com ela, deixam de ser emitidas na atmosfera, por ano, oito toneladas de dióxido de carbono (CO2, gás apontado como principal responsável pelo aquecimento global).

“Também implantamos um sistema de troca de calor com a utilização da água do lago (presente em uma das unidades) para o aquecimento da água da piscina. O ecossistema presente no lago é beneficiado com uma placa fotovoltaica que gera energia renovável para oxigenar a água”, diz Jair Bordignon, gerente de gestão ambiental da Positivo.

Usina solar da Universidade Positivo, em Curitiba

Ranking das 100 universidades mais sustentáveis do mundo

1. University of Nottingham (Reino Unido)
2. University of Connecticut (EUA)
3. University of California, Davis (EUA)
4. University College Cork National University of Ireland (Irlanda)
5. University of Oxford (Reino Unido)
6. University of Californa, Berkeley (EUA)
7. University of North Carolina, Chapel Hill (EUA)
8. University of Bradford (Reino Unido)
9. Universite de Sherbrooke (Canadá)
10. Northerastern University (EUA)
23. Universidade de São Paulo (USP – Brasil)
38. Universidade Federal de Lavras (Minas Gerais – Brasil)
99. Universidade Positivo (Paraná– Brasil)

Critérios do UI GreenMetric World

Local e infraestrutura
Relação entre áreas abertas em relação à área total, área de floresta, área de vegetação plantada, área para absorção de água, total de área aberta dividida pela população total do campus, orçamento da universidade para ações de sustentabilidade.

Energia e mudanças climáticas
Uso de aparelhos com melhor eficiência energética, implementação do smart building, número de fontes de energia renovável no campus, uso total de eletricidade dividido pela população total do campus, proporção de energia renovável produzida em relação ao uso anual, implementação de elementos de “construção verde”, programa de redução de emissão de gases de efeito estufa, relação da pegada de carbono total dividido pela população do campus.

Resíduos
Programas de reciclagem de resíduos e de redução do uso de papel e de plástico, tratamento de resíduos orgânicos e inorgânicos, manipulação de resíduos tóxicos, coleta de esgoto.

Água
Programas de conservação e reúso de água, uso eficiente de aparelhos hidráulicos e água tratada.

Transporte
Relação entre o total de veículos (carros e motos) dividido pela população do campus, serviços de transporte, política para veículos de emissão zero e número destes veículos em relação à população do campus, relação entre as áreas de estacionamento e a área total, programa para limitar ou reduzir as áreas de estacionamento nos últimos três anos, número de iniciativas para diminuir a quantidade de veículos particulares no campus e política para pedestres.

Educação
A proporção de cursos voltados à sustentabilidade em relação ao total de cursos, relação entre o orçamento destinado à pesquisa em sustentabilidade em relação ao total, publicações, eventos, relatórios, websites e organizações estudantis na área de sustentabilidade.

*Com informações do Jornal da USP

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Fotos: divulgação Central Press

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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