Três professores brasileiros estão entre 50 finalistas do Global Teacher Prize, o “Nobel” da Educação

Três professores brasileiros estão entre 50 finalistas do Global Teacher Prize, o "Nobel" da Educação

Os professores Doani Emanuela Bertan, de Campinas, Lilia Melo, de Belém do Pará, e Francisco Leitão Freitas, de Brasília, estão entre os 50 finalistas do Global Teacher Prize 2020. Eles foram escolhidos entre mais de 12 mil indicados, de 140 países.

O prêmio anual, considerado um Nobel da Educação, foi criado, em 2014, pela Varkey Foundation. Ele tem como objetivo valorizar a profissão de docente, reconhecendo práticas inovadoras e exemplares nas escolas e desta maneira, inspirar estudantes, comunidades e meio acadêmico.

Doani é professora de português e libras (a língua brasileira de sinais) na Escola Municipal Julio de Mesquita Filho. Inspirou-se na mãe para se tornar uma educadora e logo que se formou descobriu a paixão pela educação inclusiva, especialmente para aqueles com problemas auditivos.

Trabalhando em uma escola carente, com alto índice de evasão, Doani desenvolveu tutoriais e aulas online para ajudar seus estudantes e ajudá-los com as dificuldades enfrentadas na sala de aula. A ferramenta digital criada pela professora também as famílias. Todo o material está publicado no YouTube, com acesso gratuito.

Professor de história, especialista em educação inclusiva e mediador social, Francisco Freitas atua no Centro Educacional da Penitenciária de Santa Maria, em Brasília. Lá ajuda jovens vulneráveis, através do programa RAP – Ressocialização, Autonomia e Protagonismo, que usa música e poesia como instrumentos pedagógicos. O projeto já recebeu diversos prêmios e alguns de seus alunos, ganharam liberdade provisória para participar desses reconhecimentos em outros estados.

Já Lilia é professora da Escola Brigadeiro Fontenelle, no bairro de Terra Firme, em Belém. Nascida em uma comunidade pobre, sempre buscou formas de reduzir a desigualdade social. Para que seus alunos consigam enfrentar uma realidade tomada pela violência e tráfico de drogas, ela começou a oferecer nos finais de semana um programa de atividades que incluíam capoeira, dança, teatro, poesia e música em ruas e praças da comunidade.

Além disso, a educadora paraense envolveu empresas locais para financiar a compra de ingressos para seus estudantes poderem participar de eventos culturais, como filmes. Todo o projeto foi gravado e transformado em um documentário e teve grande repercussão, incluindo sociedade e jovens em um importante debate social.

No mês que vem, o Global Teacher Prize vai anunciar quem serão os dez finalistas. O grande vencedor ganhará US$ 1 milhão. O resultado será divulgado, em outubro, em uma cerimônia no Museu de História Natural, em Londres.

Em 2019, a professora paulista Débora Garofalo ficou entre os dez finalistas da competição, mas o escolhido para receber o prêmio foi um queniano, que leciona na zona rural e doa seu salário para famílias pobres.

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Fotos: divulgação Global Teacher Prize

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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