Trens mais baratos e incentivos para carros elétricos estão entre medidas de novo plano do clima na Alemanha

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Pressionado por mais de 1 milhão de pessoas que foram às ruas da Alemanha na última sexta (20/09) cobrar por mais ações, durante a Greve Global pelo Clima, o governo daquele país anunciou no mesmo dia das manifestações que estava aprovando um novo plano climático, no valor de 54 bilhões de euros, a ser investido nos próximos quatro anos.

Os protestos alemães foram um dos maiores registrados no mundo. Em diversas cidades, as avenidas ficaram lotadas.

No parlamento, em Berlim, o partido conservador da chanceler Angela Merkel tentou até onde pode adiar a assinatura do pacote, idealizado pelos oponentes sociais democratas, sobretudo, os “verdes”, que fazem parte de uma coalizão para que o governo tenha maioria.

Ao anunciar as novas medidas, Merkel admitiu que a Alemanha não conseguirá cumprir suas metas de redução de emissões de carbono até 2020, conforme assinado no Acordo de Paris, mas terá que empurrar o prazo para 2030. O objetivo é diminuir em 50% a liberação de gases de efeito estufa, em comparação aos níveis da década de 90.

Entre as medidas anunciadas na semana passada estão:

– redução das tarifas de trem;
– aumento das passagens aéreas, com a inclusão de um taxa relacionada às emissões de carbono;
– incentivos para a compra de veículos elétricos;
– subsídios para a troca de sistemas de aquecimento movidos a óleo por outros menos poluentes;
– expansão da rede ferroviária;
– aumento dos impostos sobre a produção de dióxido de carbono (CO2, gás apontado como sendo o principal responsável pelo aquecimento global)

Logo após o anúncio do plano, diversas organizações ambientais e alguns membros do governo alemão, ligados às questões climáticas, criticaram as medidas, afirmando que não são suficientes. Segundo eles, o preço do carbono deveria ser mais alto.  

“Angela Merkel não poderá ‘vender’ este documento sobre questões-chave como um sucesso na cúpula climática da ONU, em Nova York. Exorto a chanceler a retomar o pacote climático da última sexta-feira e a elaborar um novo”, disse Martin Kaiser, diretor administrativo do Greenpeace Alemanha.

*Com informações da Agência de Notícias Reuters e CNN

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Foto: Max Kovalenko/divulgação Facebook Stuttgart – meine Stadt

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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