Trem japonês emite latidos e urros para evitar acidentes com animais nos trilhos

Trem japonês emite latidos e urros para evitar acidentes com animais nos trilhos

Todos os anos, centenas de animais, especialmente veados, morrem atropelados por trens que viajam pelas áreas rurais do Japão, da mesma maneira que no Brasil, antas e tamanduás também perdem a vida atravessando nossas estradas.

Só em 2016, foram registradas 613 colisões com animais nas ferrovias japonesas – 185 acidentes a mais do que no ano anterior. Especialistas afirmam que o veado sika (Cervus nippon) é atraído para os trilhos porque gosta de lamber as limalhas de ferro. As companhias de trem já tentaram colocar cercas em volta das linhas, mas não adiantou.

Pois a equipe do Railyway Technical Research Institute (RTRI) encontrou uma solução inusitada para resolver o problema. Os trens que circulam pelas linhas onde acontecem mais colisões estarão equipados com um sistema de som que emites latidos de cães e urros de veados.

A ideia é que ao ouvir estes sons, os animais se afastem dos trilhos. Veados costumam dar um berro curto e estridente para alertar outros indivíduos da mesma espécie quando estão em perigo. Já certas raças de cachorro caçam veados.

Nos primeiros testes que foram conduzidos com o trem japonês, o berro do veado foi emitido durante três segundos, seguido por 20 segundos de latidos. Os pesquisadores garantem que o experimento reduziu em 45% a aparição dos veados em regiões próximas às linhas de trem.

Os veados são atraídos pelo ferro dos trilhos de trem

No final do ano passado, mais de cem veados também foram atropelados por trens na Noruega. O país tem uma população de cerca de 250 mil animais desta espécie. No início do inverno, os criadores os levam para as pastagens de inverno e é, durante esta travessia, por estradas e linhas férreas, que eles perdem a vida.

Mortes na estradas brasileiras

Como no Brasil houve mais investimento em rodovias do que ferrovias, em nosso país, são os atropelamentos em estradas que matam os animais. O Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE) estima que ocorram 475 milhões de mortes, por ano, em rodovias. Seria o mesmo que dizer que, a cada 15 segundos, um animal selvagem perde a vida.

Aproximadamente 90% dos atropelamentos envolve pequenos vertebrados (sapos, pequenas aves, cobras, entre outros). Vertebrados de médio porte (gambás, lebres, macacos) representam 9%. O 1% restante está longe de parecer pouco. É a quantidade de espécies de grande porte (onça-parda, lobos-guarás, onça-pintadas, antas, capivaras), algo como 5 milhões de animais. Se levarmos em comparação que estes animais correm risco de extinção (como é o caso da onça-pintada e da onça-parda), o caso fica ainda mais grave.

Em 2015, antas – uma das principais vítimas dessa tragédia diária -, ganharam coleiras luminosas para evitar acidentes nas estradas do Mato Grosso do Sul. A iniciativa foi do Instituto Ipê, como mostramos aqui neste outro post. As coleiras são equipadas com GPS e refletores.

Outra solução para reduzir os atropelamentos é a construção de viadutos para a travessia de animais. Em junho de 2017, divulgamos a implantação da primeiro do país, no Pará.

A obra foi uma determinação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) para mineradora Vale, que iria instalar um novo trecho de rodovia para escoar a produção de minério de ferro, no Ramal Ferroviário Sudeste do Pará. A licença de instalação só seria obtida com a construção do viaduto, que corta a Floresta Nacional do Carajás.

Para assegurar o direcionamento dos animais, o viaduto foi cercado de arame galvanizado de 2,2 metros de altura ao longo de 100 metros de extensão em cada lado dos acessos. Espécies arbustivas e de pequeno porte foram plantadas nas laterais.

Segundo o Ibama, outras 30 passagens, entre viadutos e túneis, foram instaladas ao longo dos 100 quilômetros do ramal e já existem registros do trânsito de capivaras, tatus, jaguatiricas, tamanduás-bandeira, cachorros do mato, cutias, iguanas e gatos-mouriscos.

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Foto: hans-johnson/creative commons/flickr (trem) e GrahamC57/creative commons/flickr (veados)

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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