Tipiti, negócio social tipicamente paraense, incentiva a produção local e o preço justo

A cultura paraense é um mundo de sabores e belezas trançadas. Ao menos pra mim. Mas muitos pequenos produtores locais têm dificuldade em divulgar e em vender sua produção de alimentos e artesanato, e especialmente em obter um preço justo por seu trabalho.

Esse é um dos problemas que Glinnis da Rocha e Ingrid Ribeiro, fundadoras do negócio social Tipiti, procuraram resolver ao criar uma ponte entre esses pequenos produtores e os consumidores, paraenses ou não, que residem em outros estados brasileiros. Valorizar a produção de famílias ribeirinhas e criar canais de escoamento para seus produtos, praticando o comércio justo.

Além de produtos alimentícios como pimentas, geleias, farinhas, café de açaí e cachaças, a Tipiti, que está localizada em Santarém, no Pará, também trabalha com artesanato – palha de buriti e tintas naturais, tudo isso envolvendo cinco famílias distribuídas em quatro comunidades: Santarém, Atodi, Alter do Chão e Belterra.

“Existimos para mostrar que é possível se desenvolver dentro da Amazônia sem derrubar, sem exterminar. Valorizar a terra, disseminar a cultura pelo país e fortalecer o desenvolvimento de novas cadeias locais de produção é a missão do nosso empreendimento, pautado no empreendedorismo social“, afirma Glinnis.

Glinnis e Ingrid começaram o negócio em 2015. No início, elas idealizaram um produto movido a saudade: um box com produtos típicos do Pará – cachaça com Jambu, doce de cupuaçu, beijú de mandioca, farinha de tapioca, piracuí e uma cuia do artesanato – cuja intenção era o envio para outros lugares do país, ajudando as pessoas a amenizarem a saudade do estado. A logística difícil para os envios das encomendas levou as sócias a remodelarem o negócio.

Hoje, os produtos são comercializados em festivais, feiras, passeios turísticos, junto a empresas e também sob encomenda. Os desafios incluem melhorar as áreas de gestão, logística e finanças, além de aprimorar o marketing dos produtos e ampliar a presença da Tipiti em outras regiões do país.

Atualmente, a dupla participa do Programa de Aceleração da Plataforma Parceiros pela Amazônia. A iniciativa já teve o apoio do Projeto Saúde e Alegria, passou pela aceleração Pense Grande com a Aliança Empreendedora e Fundação Telefônica Vivo e com a Amaphiko – Red Bull.

A geração de renda para agricultores familiares, o uso consciente dos recursos da floresta, fortalecimento da comunidade e a preservação de suas tradições e cultura são os impactos positivos que já são gerados pelo trabalho. A Tipiti apoia os produtores na precificação, na criação de novas ofertas e no desenvolvimento/aprimoramento dos produtos.

“A Tipiti é uma demonstração da paixão que nós temos pela nossa cultura. O diferencial é que as pessoas experimentam os produtos como a gente consome no Pará, sem perder essa qualidade”, diz Ingrid.

Fotos: Divulgação

Mônica Ribeiro

Jornalista e mestre em Antropologia. Coordenou a Comunicação da Secretaria do Verde da Prefeitura de São Paulo – quando criou as campanhas ‘Eu Não Sou de Plástico’ e, em parceria com a SVB, a ‘Segunda Sem Carne’. Colabora com a revista Página 22, da FGV-SP e com a Plataforma Parceiros Pela Amazônia, e atua nas áreas de meio ambiente, investimento social privado, economia solidária e negócios de impacto, linkando projetos e pessoas na comunicação para um mundo melhor

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