Terras do agronegócio superam áreas de preservação, revela estudo do Imaflora. Então, pra que mais?

Ao contrário do que alardeiam ruralistas e líderes do agronegócio no país, as áreas de preservação da vegetação (unidades de conservação e também terras indígenas) não impedem o desenvolvimento do setor. É o que revela o novo Atlas da Agropecuária Brasileira, que está sendo lançado hoje (20/3) pela ONG Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal Agrícola) em parceria com a Esalq-USP, e que traça um panorama atualizado das terras públicas e das propriedades rurais do país.

Segundo a plataforma digital, as áreas produtivas somam 4,53 milhões de km2 (53%) – sendo que as grandes propriedades ocupam 2,34 milhões km2 ou 28% do total. Aqui, não estão incluídos os assentamentos rurais do Incra, que somam 400 mil km2. Já as áreas protegidas não passam de 2,32 milhões de km2 (27%).

A diferença me pareceu discrepante, mas o jornalista Marcelo Leite, em seu artigo de ontem, comentou que deveríamos nos orgulhar “do tamanho da contribuição para salvar a natureza do planeta”. E destacou também que ele “não sustenta a tese de que índios e mato ocupam tanta terra que estariam impedindo o avanço dos ‘heróis do agropop’”. Aliás, bem lembrado! Faz pouquíssimo tempo o setor invadiu a TV em horário nobre para propagar a ideia de que o Agronegócio é pop. Quem viu? Mas a verdade é que o setor está muito longe disso.

Voltando aos números do levantamento do Imaflora, note que as grandes propriedades ocupam 1% a mais de terras que as áreas preservadas! Ou seja, ganância pouca é bobagem. As produções agrícola e pecuária atuais não precisam de mais terras para progredir, mas de gestão eficiente, que envolve respeito aos povos originários, às áreas de preservação, além de inspeção (de higiene, de direitos humanos e animais) e certificação.

É o que ficou também provado com o escândalo dos frigoríficos a partir de denúncia de um fiscal e da investigação da Polícia Federal – chamada de Operação Carne Fraca – e que ainda vai render muitas notícias sobre as mazelas da pecuária brasileira.

Segundo Leite, também, os dados do Atlas do Imaflora contradizem relatório divulgado pela Embrapa, em 2009 – Alcance Territorial da Legislação Ambiental e Indigenista – que alardeou que só 29% do território nacional eram usados pela agropecuária e que o restante estava ocupado Tis, quilombos e unidades de conservação.

Tomara que esse escândalo da carne sirva para impedir o avanço não só da pecuária, mas do agronegócio como um todo sobre as terras preservadas – como também da mineração, do setor madeireiro.

Foto: Broin/Pixabay

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

Deixe uma resposta